26 de setembro de 2016

ATTRACTHA - SEM MEDO DE FALAR

Por Leandro Nogueira Coppi



Apesar de já ser conhecido no cenário paulistano, desde que despontou em 2013 com o EP “Engraved”, o Attractha ressurge com nova formação e está em contagem regressiva para lançar o seu tão aguardado álbum de estreia, “No Fear To Face What’s Buried Inside You”. Os fundadores Humberto Zambrin (bateria) e Ricardo Oliveira (guitarra), acompanhados de seus novos ‘bandmates’, Guilherme Momesso (baixo) e Cléber Krichinak (vocal), trabalharam pesado e cuidaram de cada detalhe para apresentar ao público um material impactante, não só em termos sonoros, já que até o que diz respeito á arte gráfica e á produção, mixagem e masterização, foi  muito bem cuidado e deixado nas mãos de nomes tarimbados no ramo. Nessa entrevista, Humberto Zambrim conta todos os detalhes do álbum, desde o processo de criação, até o acabamento e o teor lírico de “No Fear To Face What’s Buried Inside You”. Confira!


Foto: Pati Patah

“No Fear To Face What’s Buried Inside You” apresenta muita evolução em relação ao EP de estreia, “Engraved”. Se antes havia algumas referências de Hard Rock, agora o Attractha soa mais pesado – ainda que o guitarrista Ricardo Oliveira mantenha a pegada Hard em alguns de seus arranjos. O que vocês conversaram, quando começaram a pensar nesse ‘debut’?
Humberto Zambrin: Esta era realmente uma reação que estávamos esperando! (risos) Não chegamos a conversar algo do gênero, tipo: ‘vamos ficar mais pesados’. Acho que isso foi uma evolução natural mesmo. O que sempre conversamos e nos preocupamos durante as composições foi o fato de não nos prendermos à clichês de sub-gêneros, mas sim poder fazer o que for, com liberdade, pensando na música em si. Vale lembrar que da formação que gravou o “Engraved”, só estamos eu e o Ricardo. Então, para o “No Fear…”, você tem metade da banda sendo estreante e isso mudou um pouco o som. Ao vivo já achávamos que a sonoridade estava mais pesada e com uma “pegada” diferente no geral. Conseguimos captar isso no novo álbum, o que eu acho bem positivo. Apesar de o som ter mudado um pouco, as características individuais estão lá, como você mesmo disse. Para nós, foi mesmo uma evolução natural.

A princípio, o álbum deveria ter sido lançado em meados de 2014, mas vocês passaram por alguns obstáculos. Ainda assim, por que demorou para que “No Fear To Face What’s Buried Inside You” ganhasse vida?
Humberto: Tempo e dinheiro! (risos). Com a entrada do Cléber, acabamos abandonando as composições para fazer novos shows, ganhando entrosamento e mostrando a banda um pouco mais ao público. Depois, entramos em processo de composição, mas de uma forma muito lenta, trabalhando juntos e em estúdio. Esse processo é bem pouco produtivo, no meu ponto de vista. Quando percebemos que estávamos no final de 2015 e ainda não tínhamos músicas novas o suficiente, mudamos de estratégia. Deu certo, mas mesmo assim, “No Fear…” levou seis meses pra ficar pronto.

As novas músicas caíram muito bem para Cleber Krichinak, que tem uma voz mais agressiva do que a de seu antecessor, Marcos de Canha, que foi quem gravou o EP. De certa forma, a chegada de Krichinak influenciou para que vocês rumassem para essa sonoridade mais pesada?
Humberto: Não, foi exatamente o contrário! Ainda na época do Marcos, as músicas já estavam ficando mais pesadas, já havíamos abaixado a afinação e etc. Quando o Marcos decidiu sair da banda, as novas músicas nos levaram a procurar alguém com o perfil vocal do Cléber, mais agressivo. Obviamente, quando nos juntamos e começamos a trabalhar, percebemos que poderia ficar ainda mais pesado, então não economizamos nisso. Cléber somou muito à nossa sonoridade, sem dúvida, mas a veia mais pesada já estava lá um pouco antes dele chegar. Ele só colocou mais pimenta no nosso tempero!

O título do álbum diz: “sem medo de encarar o que está enterrado dentro de você”. Explique-o melhor.
Humberto: Bem, essa é uma longa história! Quando eu estava escrevendo as primeiras versões das letras (algumas em 2014 e também em 2015) passei por um hiato criativo, onde não achava temas interessantes para escrever sobre, então acabei deixando as letras meio de lado para trabalhar nelas já na pré-produção - isso já em 2016. Assim, decidi escrever sobre a minha forma de encarar alguns assuntos, como religiosidade, mídia, relações humanas, política... Só que eu me pegava em dilemas, porque, muitas vezes, alguns pontos de vista para esses assuntos são tão particulares quanto polêmicos. Mas eu decidi ir em frente e colocar no papel aquilo que fazia sentido pra mim, o que eu sentia, no que eu acreditava e o que eu havia vivenciado. Quando as letras e as músicas estavam prontas, comecei a pensar no título do álbum e em um determinado dia me peguei pensando: ‘Poxa, não tive medo de mostrar o que penso.’. Com isso, o título ficou quase pronto. Montei uns três ou quatro nomes e acabei ficando com esse mesmo, que, literalmente, expressa o que está contido nas músicas do album.

Quando o Sepultura lançou seu álbum mais recente, “The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart” (2013), muita gente se queixou do tamanho do título. Acredito que quando vocês optaram por “No Fear To Face What’s Buried Inside You”, imaginaram que passariam pelo mesmo problema, certo?
Humberto: Na verdade, o título do “The Mediator…” do Sepultura, foi uma inspiração e basicamente uma porta aberta para o “No Fear To Face What’s Buried Inside You”. Eles romperam a barreira e nós pegamos carona. Quando eu pensava em nomes de álbuns, recorrentemente acabava percebendo que os títulos, em sua grande maioria, têm sonoridade bi-silábica ou tri-silábica como, por exemplo, Des-tro-yer, Po-wer-slave, Reign-In-Blood, Rust-In-Peace, Master-Of-Puppets... Isso meio que me entediou. Onde está a regra onde título de álbum tem que ser assim? (risos) Obviamente que o título não é comercial, nem prático, mas creio que ele ganhará um apelido rapidamente, como “No Fear…”, assim como aconteceu no caso do Sepultura. Na verdade, até o álbum físico dará essa intenção, porque o nome estará “quebrado” em quatro capas/ilustrações diferentes... Mas, isso é outro assunto!

Você é o responsável por todas as letras de “No Fear To Face What’s Buried Inside You”. O que o ouvinte encontrará em termos líricos nesse material?
Humberto: Em linhas gerais, as letras são a minha visão de vários assuntos, vivências pelas quais passei ou pontos de vista de determinados temas. Foi uma experiência libertadora escrever tudo isso, porque nem sempre coloco os meus pontos de vista às claras, já que, a “sociedade livre” em que vivemos, nos julga, nos condena e nos executa muito rápido. Mas numa obra como essa, ficou fácil colocar tudo isso aí. Passo por temas como incerteza, manipulação de mídia, equilíbrio emocional, superação, religiosidade, conflitos de geração, entre outros. Enfim, acredito que todas as pessoas que lerem as letras desse trabalho irão se identificar com algumas delas, porque não há nada alí que nós, como seres humanos, não tenhamos visto, vivenciado ou experimentado.

Em março de 2015 foi disponibilizado o single de “Unmasked Files”, que serviu para apresentar a nova formação da banda ao público. Vocês deram uma repaginada nessa música e a incluíram em “No Fear To Face What’s Buried Inside You”. Algum motivo especial para isso? 
Humberto: Sim. “Unmasked Files” era para ser uma precursora do álbum, mas como o mesmo acabou demorando demais, não fazia mais sentido repetí-la. Porém, quando iniciamos a pré-produção com o Edu Falaschi, ele simplesmente pirou nessa música. Até hoje ele me liga e fala que a considera a melhor do álbum. Como ele apostou muito no potencial da música, decidimos mergulhar nela e criar uma versão ‘revisited’ para incluir no álbum. Ela meio que poderia ser chamada de “Unmasked Files (versão do produtor)” (risos). Nós gostamos das duas versões, então, nos shows, pode ser que intercalemos as execuções. Veremos...

Como primeiro material de divulgação do ‘debut’, vocês escolheram a música “231”. Comente sobre essa em específico e o motivo de terem feito um ‘lyric video’ para ela.
Humberto: “231” foi um acidente de percurso! (risos). Temos outra música que será trabalhada num videoclipe, porém, atrasamos as filmagens, então, precisávamos lançar o material e resolvemos entrar com o ‘lyric’ da “231”. Ela é uma música que nos agrada demais, tem um andamento característico e umas variações interessantes. Pra nós, foi muito difícil escolher a música do clipe, do ‘lyric’ e etc, porque todos nós achamos que o álbum é muito equilibrado e variado. Então, as conversas de escolha sempre foram longas e exaustivas. A “231” tem um título atípico, que ajuda a chamar a atenção, a letra é de fácil entendimento, tem um bom refrão... Achamos que seria uma boa começar com ela, mas posso adiantar que mais videos virão por aí!

Você fala sobre videoclipes, propriamente ditos?
Humberto: Sim! Um clipe já está em produção com a Foggy Filmes, do Junior Carelli (Noturnall, Anie) e do Rudge Campos, que já fizeram, além dos clipes do Noturnall, os novos do Hangar e de outros. As datas estão todas definidas, mas não vou falar, porque sempre que falo uma data acaba atrasando! (risos) Mas ele sairá logo logo! Depois deste, pretendemos fazer mais um ou dois vídeos, dependendo da repercussão desse primeiro.


Da direita para a esquerda: Cleber Krichinak, Ricardo Oliveira, Humberto Zambrin e Guilherme Momesso


"[...] a 'sociedade livre' em que vivemos, nos julga, nos condena e nos executa muito rápido" 
 - HUMBERTO ZAMBRIN


“No More Lies” é uma composição sensacional e ela é a mais melódica do álbum. Particularmente, é a minha favorita em “No Fear To Face What’s Buried Inside You”. Fale um pouco a respeito dessa e de “Holy Journey”, que também é bem interessante.
Humberto: “Holy Journey” (que tinha outro nome) foi a primeira música que fizemos para o “No Fear…”. Ela ainda traz bastante elementos do “Engraved”, só que com um horizonte mais amplo de influências, eu acho. A letra dela é inspirada no filme “O Livro de Eli”, que traduz perfeitamente a minha visão da religiosidade na humanidade, seus benefícios, malefícios e aplicações. É um assunto extremamente rico, porque a base é: “como algo que é baseado puramente em pregar o bem, pode ser usado facilmente para se fazer o mau?”. Quando vi o filme, logo pensei: ‘tenho que escrever sobre isso!’. Já a “No More Lies” seria o equivalente à “balada do álbum”. Quando estávamos discutindo a quantidade e tipo de músicas que entrariam no disco, discutimos muito a possibilidade de ter uma outra balada, já que “Blessed Life”, do “Engraved”, sempre foi muito elogiada. O Ricardo trouxe a música basicamente toda pronta - exceto o final. Conforme íamos criando os arranjos, ela ia ficando mais pesada e ganhou essa estrutura de “balada de Metal”, que começa com dedilhado e acaba porrada. Mas confesso que não foi intencional, foi natural. A letra, em contra-partida, é uma das mais pesadas e densas do álbum, pois toca o ponto das decisões que temos que tomar na vida, das angústias, das mentiras que nós mesmos criamos e vivemos. Gosto muito dessa música também!

Tanto “Holy Journey” quanto “Victorious” remetem aos bons tempos do Queensrÿche. É correta essa observação?
Humberto: Se você acha, quem sou eu para discordar? (risos) Queensrÿche nunca foi uma influência forte na banda. Obviamente, que não podemos ignorar uma banda desse peso, principalmente eu, que vivenciei o lançamento do “Operation: Mindcrime” (1988) e do “Empire” (1990), que são os melhores álbuns deles, na minha opinião. Mas, realmente, não fomos influenciados diretamente por eles. Me recordo de alguém me dizer que o arranjo de bateria da introdução da “Holy Journey” lembrava muito Scott Rockenfield e eu fiquei feliz! Mas na “Victorious”, eu acho que não, não vejo nada de Queensrÿche nela (risos). Porém, como eu disse antes, a referência é um elogio e tanto! Obrigado.

Já que você mencionou há pouco o Edu Falaschi, ele foi o produtor do álbum e fez um excelente trabalho. Como o nome dele chegou até vocês?
Humberto: Lá no inicio de 2013, mostrei ao pessoal da banda, o “Motion” (2011) do Almah - que eu acho um álbum fenomenal - para dar algumas referências de timbres, principalmente de guitarra, além dos impecáveis refrãos que o Edu produz. Dali, o Almah virou uma das referências do Attractha em vários aspectos e eu comecei a acompanhar mais a carreira da banda e descobri que tudo é feito pelo Edu, com uma participação muito tímida dos outros músicos. No final de 2015, quando fechamos que o nosso álbum iria sair em 2016, tocamos na possibilidade de ter um produtor e elevar o nosso nível um degrau acima. Vários nomes vieram à tona e começamos a falar com os potenciais produtores. Não sabíamos que o Edu também fazia isso e eu, navegando no site do Almah um dia, acabei caindo no site do Edu e lá eu vi a parte de produção musical. Como eu não conhecia o Edu, mandei um e-mail pelo site mesmo, e era a semana entre Natal e Ano Novo, tipo dia 27 de dezembro. Achei que ele responderia só no inicio do ano, mas ele me respondeu em algumas horas, o que foi fantástico! Fizemos umas duas ou três reuniões antes de fechar e em março começamos a trabalhar.

Além da parte técnica, ele colaborou dando sugestões em relação às composições ou até mesmo fazendo concessões em arranjos e etc?
Humberto: Sim! Ele mudou algumas estruturas das músicas e tirou uns vícios que tínhamos. Ajudou a deixar nossos refrãos mais fortes e deu algumas ideias de arranjos, não só de voz, mas de tudo! O bom é que, além de grande compositor, o Edu toca todos os instrumentos, então ele ajudou a abrir o leque de possibilidades na bateria, no baixo, nos riffs de guitarra... Foi uma excelente experiência!

Como foi o processo do Attractha durante o período de gravação de “No Fear To Face What’s Buried Inside You”?
Humberto: O período de pré-produção levou uns quarenta e cinco dias, de meados de março a final de abril. Depois, tivemos uns dias de ensaios para reaprender as músicas e fomos para a gravação. Nós a fechamos com a Loud Factory, em São Paulo, com o Wagner Meirinho e com o Tiago Assolini, que acabaram virando grandes amigos nossos. A bateria foi gravada no estúdio NaCena, pela ambiência da sala e tudo mais, e foi feita em três dias, em maio. As cordas e vozes foram gravadas no estúdio da própria Loud Factory. Começaram em junho e terminamos as gravações no início de agosto. Daí então, o material seguiu para os Estados Unidos, onde foi mixado e masterizado. No geral, o processo foi bem puxado, porque trabalhamos direto nesse período. Eram raros os dias de folga, praticamente gravávamos de segunda a segunda. Capturamos muita coisa em vídeo e talvez lancemos um ‘making of’ das gravações!

Como você disse, o álbum foi mixado e masterizado em Los Angeles (CA). Por quê vocês decidiram mandar o material para os Estados Unidos e por quê optaram por Damien Rainaud (Fear Factory, Baby Metal, Dragonforce)?
Humberto: Bom, a decisão de fazer isso lá fora foi por pensarmos nas possibilidades, custo e acessibilidade à recursos mais modernos. Sabemos que com a crise e o câmbio, os investimentos dos estúdios no Brasil diminuíram muito. Claro que isso não afeta a qualidade dos trabalhos que são feitos aqui, mas, com certeza, os recursos disponíveis não são os últimos lançamentos de mercado. O Damien trabalha na Mix Unlimited, que funciona como uma cooperativa de estúdios em L.A., ou seja, ele tem acesso a todo tipo de equipamento que você possa imaginar para fazer o trabalho dele. Isso foi o que nos levou a fazer lá e com ele. O nome dele veio pelo Edu, já que ele mixou e masterizou o “Unfold” (2013) e o “E.V.O.” (2016), do Almah. Ouvimos o trabalho, falamos com ele, gostamos e fizemos. As referências dele são excelentes.



"Existem muitos lugares com espaço para se tocar hoje em dia, mas, a infra-estrutura, em geral, é péssima"  
- HUMBERTO ZAMBRIN 


Quanto à capa, ela é assinada por João Duarte, artista bastante requisitado em nosso cenário por ter feito vários trabalhos para inúmeras bandas. Ela apresenta um novo conceito e as artes são alinhadas ao conteúdo musical. Como surgiu essa ideia e de que forma ela foi colocada em prática?
Humberto: É difícil explicar a idéia sem ter o CD em mãos, mas, basicamente, eu tive a idéia de fazer do CD não só um CD, mas um ítem de merchandising, algo que fosse legal de se ter e de se olhar, como era na época do vinil. Tive a idéia da capa e dos conceitos e fui amadurecendo isso e fazendo testes sozinho em casa. Quando fechei a ideia, mostrei aos caras da banda, que acharam muito legal, e então fui falar com o João, que além de ter se tornado um super amigo, me inspirava a confiança de tocar um trabalho desses. Lembro da cara dele de assustado com a ideia e dizendo: ‘É um desafio! É um desafio!’. Esses dias, ele e o Guilherme Momesso me confessaram, num jantar, que achavam que não daria certo! (risos). Mas estamos aí, com o produto pra ser lançado. Basicamente, a ilustração que seria a capa, tem tantos detalhes, que seria impossível fazê-la no tamanho de um CD, então ela foi criada no tamanho de um vinil. Daí, a transformei no encarte do CD e criei outros conceitos artísticos para serem usados como capas alternativas. No final, é como se o álbum tivesse cinco capas distintas, quatro na própria caixa e uma que é o encarte. Além disso, tudo é um enigma, com referências exotéricas, mensagens subliminares e conexões que as pessoas podem passar algum tempo alí se divertindo. Além disso, quem adquirir o CD vai poder escolher a capa que quer deixar como principal, pela forma que ele foi montado!

A cor vermelha ganhou bastante destaque e isso é o que mais chama a atenção em toda a arte gráfica. Qual o contexto por trás disso?
Humberto: Bom, se você vai encarar aquilo que está enterrado em você, não existe forma fácil, então o vermelho simboliza o sangue, tanto do sofrimento no processo, quanto da vida. Quando tive a ideia, a presença e destaque do sangue eram fundamentais para a conexão das artes com as músicas e outros lances. Assim sendo, para que isso tivesse o destaque merecido, resolvi não usar outras cores, apenas tons pastéis de branco e cinza. Obviamente que, como 90% dos CDs de Heavy Metal têm capas escuras, essa ideia também vem para dar certo destaque ao nosso produto quando estiver nas vitrines das lojas por aí. (risos)

Quais são os planos traçados para a divulgação de “No Fear To Face What’s Buried Inside You”?
Humberto: À curto prazo, estamos divulgando fortemente o ‘lyric’ da “231”, que vai ser seguido do lançamento do álbum nas plataformas digitais. Vamos divulgar isso na maior quantidade de meios possíveis, porque sabemos que esse é o futuro da divulgação da música. Logo na sequência, sai o primeiro videoclipe oficial e faremos, em São Paulo, no Manifesto Bar, um pocket show com uma festa de lançamento do álbum físico. A partir daí, continuaremos a divulgação nos sites e revistas especializadas e montaremos a agenda dos shows de divulgação.

Como você analisa a questão dos shows? 
Humberto: Essa questão é sempre a mais difícil. Existem muitos lugares com espaço para se tocar hoje em dia, mas, a infra-estrutura, em geral, é péssima. Nós nos preocupamos muito em fazer um show que proporcione ao público uma experiência superior à audição das músicas e isso nem sempre é possível. Temos sempre que investir algum dinheiro e/ou tempo, alugando ou levando uma infra complementar pra isso. Diferentemente do que fizemos na época do “Engraved”, vamos focar em tocar mais fora de São Paulo, primeiramente nas cidades mais próximas, e então aumentar o círculo de distância, mais e mais. Algumas datas já estão em discussão, mas realmente é muito complicado. Por sorte, temos muitas bandas amigas e reais parceiros, que estão dispostos a cair na estrada conosco, dividindo esses custos e viabilizando algo melhor pra nós e para o público.

Deixe suas considerações finais.
Humberto: Em primeiro lugar, quero agradecer a você pelo espaço, pelas palavras e pelo suporte. Em segundo lugar, meus parabéns pelo seu trabalho, que considero um dos melhores no cenário atual! E por último, quero agradecer à todos que têm nos dado apoio, principalmente, neste ano de 2016, que foi puxado! Se vocês já nos conhecem, ouçam o novo álbum, porque estou certo de que irão curtir. Se não nos conhece, vá lá ouvir, pois não custa nada (risos). Abraços à todos!

                   5 MELHORES DISCOS SEGUNDO HUMBERTO ZAMBRIN:
Kiss – Creatures Of The Night (1982)
Iron Maiden – Powerslave (1984)
Megadeth – Rust In Peace (1990)
Testament – The New Order (1988)
Slayer – Seasons In The Abyss (1990)

BROKEN JAZZ SOCIETY - Gas Station (2016, EP)

Independente – Nac.



Seja para o Metal ou até mesmo para o Rock, o Stoner é um gênero que parece mesmo ter certa urgência nos dias atuais, devido a infinidade de bandas que surgem em profusão, principalmente na Europa, Estados Unidos e (correndo por fora) no Brasil, e que estão resgatando algo que, se analisarmos bem, talvez nem existisse se há quatro décadas “os pais da ‘porra’ toda”, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward não tivessem pavimentado o caminho com o Black Sabbath. Um dos mais recentes representantes nossos é o power trio mineiro Broken Jazz Society, que já havia estreado em 2014 com seu ‘debut’ “Tales From Purple Land”, e agora está de volta, com esse “Gas Station”, EP que mostra apenas três novas composições e que, apesar de manter os pés da banda fincados no Stoner, carrega uma sonoridade que, mesmo que não tenha sido intencional, a aproxima de referências que remeterão o ouvinte à outros gêneros e até mesmo à bandas, que, na visão da maioria, seriam pouco prováveis de influenciar alguma formação desse segmento. Sendo assim, é possível conferir doses de Sludge e de Queens Of The Stone Age na abertura com a própria “Gas Station”, que começa bem arrastada e logo ganha velocidade. Já “Riot Spring” possui aquela melancolia que é trivial em algumas bandas de Grunge, principalmente devido ao modo de cantar de Mateus Graffunder, músico que é o responsável também pelas guitarras do grupo. Apesar de ser mais cadenciada, “Mean Machine” segue um caminho parecido e soa como um encontro entre Lynyrd Skynyrd com Smashing Pumpkins. Algo que combinou muito bem para a proposta apresentada pela banda nesse material foi a produção realizada por Ricardo Barbosa e a mixagem e masterização de Gustavo Vazquez (Black Drawing Chalks, Hellbenders e Uganga), que deram a ‘sujeira’ necessária que favoreceu o som praticado pelo grupo. Em meio a tanta coisa igual dentro do Stoner, ao menos o BJS ousa em misturar elementos.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Gas Station
2- Riot Spring
3- Mean Machine

LINE UP:
Mateus Graffunder – vocal e guitarra
João Fernandes – baixo
Felipe Araújo – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.brokenjazzsociety.com
www.facebook.com/brokenjazzsociety
www.soundclound.com/broken-jazz-society
www.instagram.com/brokenjazzsociety
www.youtube.com/user/brokenjazzsociety
www.twitter.com/official¬_bjs

PERC3PTION - Once And For All (2016)

Shinigami Records – Nac.



Três anos após lançar o ‘debut’ “Reason And Faith”, o Perc3ption está de volta, dessa vez com “Once And For All”, que marca a estreia de Dan Figueiredo, assumindo, com competência, o posto de vocalista deixado por Luiz Poleto. O Heavy/Prog que o grupo mostrou em seu álbum anterior segue intacto, porém, agora a sonoridade ressurge mais técnica e pesada, sem se afastar do lado melódico que, em muitos momentos, flertam com o AOR, principalmente no que diz respeito à ‘licks’ de guitarra e arranjos de teclado, que foram comandados por Glauco Barros (guitarrista e produtor) e também por Edu Falaschi (em “Rise” e “Welcome To The End”). Falando em Falaschi, ele havia produzido “Reason And Faith” e aqui reaparece como co-produtor. Como é comum no gênero explorado pelo Perc3ption, “Once...” traz músicas extensas, mas cada com seus devidos diferenciais, o que acaba tornando a audição prazerosa e não cansativa. A abertura com “Persistence Makes The Difference” alia velocidade e peso, com o baixo de Wellington Consoli (autor da capa) aparecendo bem. Já “Oblivion’s Gate” abre com uma linha de teclado que lembra o Queen, da época do “Made In Heaven” (1995) e depois se desenrola em uma levada em que cadência e peso andam lado a lado. A citada “Rise” é mais emocional, por outro lado, “Immortality” soa épica, principalmente devido aos coros que foram inseridos. “Braving The Beast” guia o ouvinte a uma viagem sonora, alternando climas e andamentos, em pouco mais de dez minutos. Carro-chefe, “Magnitude 666” ganhou videoclipe e é uma das mais velozes, mas também tem seus momentos de amenidade. A trinca final, nomeada como “Apocalypse Trilogy”, traz a bela “Welcome To The End”, que conta com partes orquestradas e vocais operísticos, a veloz “Extinction Level Event” e a trampada “Through The Invisible Horizons”. Em suma, temos no Perc3ption uma banda que não é mais promessa e sim realidade dentro do Metal nacional.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Persistence Makes The Difference
2- Oblivion’s Gate
3- Rise
4- Immortality
5- Braving The Beast
6- Magnitude 666
- Apocalypse Trilogy
7- Welcome To The End
8- Extinction Level Event
9- Through The Invisible Horizons

LINE UP:
Dan Figueiredo – vocal
Rick Leite – guitarra
Glauco Barros – guitarra
Wellington Consoli – baixo
Peferson Mendes – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.perc3ption.com
www.facebook.com/perc3ption
www.youtube.com/perc3ption
contato@perc3ption.com (contato)
www.asepress.com.br (imprensa)

TRNK - Until It’s Over (2016)

Independente – Nac.


Pode até ser que o nome desse estreante grupo seja complicado de assimilar e de se pronunciar, mas, em compensação, a sonoridade do Trnk é de fácil compreensão e poderá agradar os ouvidos dos headbangers que se prontificarem a conhecer esse “Until It’s Over”, que é o primeiro álbum dos caras. Apesar de ter sido formado em São Paulo, o Trnk é uma banda miscigenada, pois conta com uma cozinha brasileira formada por Rocha (baixo) e por Bruno Coelho (bateria), e também pelo vocalista norte-americano Matthew Liles e pelo guitarrista alemão Christian Rentsch. E o quarteto mostra competência, inclusive, na qualidade da gravação. A produção foi assinada pela própria banda e a co-produção por Bruno Pompeo (baixista do Voodoopriest e do Aggression Tales) - que também mixou o material -, enquanto que a masterização realizada na Califórnia (EUA), ficou por conta do renomado Brendan Duffey (Torture Squad, Voodoopriest, Nervosa, Dr. Sin, André Matos). Todos eles trabalharam muito bem e atingiram uma sonoridade pesada e ao mesmo tempo encorpada. Em “Until It’s Over”, a temática baseada em literatura libertária e ocultista de décadas passadas é retratada tendo como pano de fundo um peso brutal, tanto que a própria banda faz questão de salientar que toca dois tons abaixo do convencional. Nesse primeiro álbum do quarteto, o ouvinte encontrará tudo aquilo que imagina em uma banda de Stoner Metal, ou seja, riffs pesadões, levadas grooveadas, aquela sonoridade com aura de anos 70 influenciada por Black Sabbath e um vocal estilo “lenhador” em Liles, que por vezes dá umas rasgadas agressivas ao melhor estilo Phil Anselmo (Pantera, Down, Superjoint Ritual, Phillip Anselmo And The Illegals etc). Difícil destacar uma ou outra música em um trabalho tão homogêneo, mas se você tiver a oportunidade, confira a obscura “If The Accident Will”, a ríspida “Leif E Sued” e a viajante “Sangha Mine”, que elas lhe servirão como bons cartões de visita. 

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Until It’s Over
2- Guttertrash
3- If The Accident Will
4- Dime For My Time
5- That Story Is Old
6- Leif E Sued
7- Dead Mistress Trauma
8- Sangha Mine

LINE UP:
Matthew Liles - vocal
Christian Rentsch – guitarra
Rocha – baixo
Bruno Coelho - bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.trnk.com.br
www.facebook.com/weareTRNK
www.youtube.com/channel/UCkBNNLov7zsoOdvzFq27CFQ
www.instagram.com/trnk_official
trnkband@gmail.com (contato)

LOUDER - Take One (2016, EP)

Independente – Nac.



Por trás da simplicidade da capa desse EP de estreia do Louder, que foi desenvolvida por Maurício Barbieri, um dos guitarristas do grupo gaúcho, oriundo da cidade de Veranópolis, esconde-se uma sonoridade também simples, porém, sofisticada e agradável, que cativará, principalmente, aqueles que, como eu, também são adeptos do Hard Rock, do AOR e afins. A abertura com “Last Memory”, por exemplo, tem uma pegada altamente energética e pesca o ouvinte pelo refrão; “Temple Of Desire” é a que tem o ‘groove’ mais despojado; “Copper’s Synapse” conta com arranjos de guitarra de Barbieri e de Gio Attolini e linhas vocais de Kid Sangali bem legais. “No More”, que, particularmente, considero a melhor de “Take One”, é quase uma ‘power ballad’, já que possui um clima mais emocional - ainda que tenha lá seu peso. Já a derradeira “Blind Faith (Part I)” é uma balada mesmo, mas confesso que essa não me atraiu tanto. Em relação a produção de “Take One”, que ficou a cargo do baixista Ricardo Ledur Gottardo, ela poderia ter sido melhor trabalhada, já que ficou um tanto quanto crua demais – a mixagem e masterização foram feitas por Maninho. Algo interessante é a surpresa contida no encarte desse EP, um ‘QR Code’, que lhe direciona à um endereço onde você pode ouvir e/ou baixar o ‘bonus track’, que nada mais é do que um cover para um clássico do... Bem, não vou estragar a surpresa, portanto, adquira o material e descubra!

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Last Memory
2- Temple Of Desire
3- Copper’s Synapse
4- No More
5- Blind Faith (Part I)

LINE UP:
Kid Sangali – vocal
Maurício Barbieri – guitarra
Gio Attolini – guitarra
Ricardo Ledur Gottardo – baixo
Felipe Saretta – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/LouderRockBand
www.youtube.com/channel/UCxH_1L42_N4pLeqyzu0Q6Vw
www.soundcloud.com/louderrockband
louderrockband@outlook.com


BASTTARDOS - O Último Expresso (2016, EP)

Independente – Nac.



Antes de qualquer coisa, não confunda o Basttardos com a veterana banda paulista de Sleaze Glam, Bastardz. O Basttardos é um power trio carioca que soa bastante interessante e, porque não dizer, sinistro. Apesar de esteticamente ter muito a ver com o Motörhead e até ter músicas como a própria “Basttardos”, que carregam certa influência, o Basttardos tem muito mais a nos oferecer do que se limitar a copiar o saudoso gigante britânico. Nesse segundo EP, sucessor de “Dois Contra O Mundo” (2013), “o bando” mantém vivo o clima e o espírito de faroeste, com peso, visceralidade e variedade de climas e harmonias. “Licor De Cereja” tem uma letra bem legal e uma pegada bastante energética, ao contrário da calmaria existente na arrastada “Despertar Do Parto”, que possui linhas vocais com uma acentuação mais Pop; “Exilados” é a mais porrada do EP e tem algumas passagens velozes. Por fim, “Terceiro Elemento” é a mais extensa e sombria, principalmente porque em seu decorrer, uma voz infantil, parecida com a que existe em “Dead Skin Mask”, do Slayer, causa os mesmos calafrios, ao longo de sete minutos, dando um ar de terror para o final do material. Duas coisas que também merecem elogios em “O Último Expresso” são, a produção feita pelo vocalista e guitarrista Alex Campos, e também a arte gráfica que é assinada por Alexandre Ferreira. Agora que já apresentou dois bons EPs, está na hora do Basttardos começar a preparar o ‘debut’.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Basttardos
2- Licor De Cereja
3- Despertar Do Parto
4- Exilados
5- Terceiro Elemento

LINE UP:
Alex Campos – vocal, guitarra e violão
Bernardo Martins – bateria
Terceiro Elemento – baixo

LINKS RELACIONADOS:
www.basttardos.com.br
www.facebook.com/Basttardosrock
www.youtube.com/user/Basttardosrock
www.soundcloud.com/basttardos
www.twitter.com/Basttardos

SANCTA - Sancta (2016, EP)

Independente – Nac.


O Paraná não pára de nos revelar bandas e outro nome que chega agora para representar o estado é o Sancta, que nem é tão novo assim, pois já tem seis anos. O quarteto formado por Márcio Prates (vocal e guitarra), Silvana Wedel (guitarra), Junior Bazilio (baixo) e Bruno Wedel (bateria) está estreando fonograficamente com esse EP homônimo, que traz uma mistura de Hard Rock e Heavy Metal, com muita influência do que foi criado durante os anos 80 no Brasil e isso fica ainda mais claro na música de abertura, “Estrada Sem Fim”, que é a única cantada em português. Já “Practice The Truth” começa com um riff que, automaticamente, remete ao lendário grupo alemão Accept, em sua fase mais clássica. “Burning Shadows” tem peso, mas seus andamentos são mais cadenciados, enquanto que a derradeira “Lost Place” tem um quê de Judas Priest, também na fase dos anos 80, principalmente, por conta dos riffs e da levada de baixo e bateria. A guitarrista Silvana Wedel merece destaque por criar riffs e solos bacanas. Em termos de produção, a de “Sancta” foi realizada pelo guitarrista Sol Peres, do grupo conterrâneo, Semblant, e o resultado ficou aquém do esperado, já que o material soa bastante cru e nesse sentido a bateria e o vocal foram os mais prejudicados. Por outro lado, a capa é simples, mas agrada bastante. O grupo já anunciou que está preparando seu ‘debut’. Se cuidar dos pontos mencionados, o álbum agradará os fãs de Hard’n’Heavy.

Leandro Nogueira Coppi 


TRACKLIST:
1- Estrada Sem Fim
2- Practice The Truth
3- Burning Shadows
4- Lost Place

LINE UP:
Márcio Prates – vocal e guitarra
Silvana Wedel – guitarra
Junior Bazilio - baixo
Bruno Wedel – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/bandasancta

25 de setembro de 2016

ATTRACTHA - No Fear To Face What’s Buried Inside You (2016)

Dunna Records / Shinigami Records – Nac.



O Attrachta está de volta e finalmente lançando o seu aguardado ‘debut’, “No Fear To Face What’s Buried Inside You”, que mostra uma sonoridade mais pesada do que a do EP de estreia, “Engraved” (2013). O motivo de a banda ter rumado para esse caminho, talvez se explique pelo fato de o novo vocalista, Cleber Krichinak, ter um estilo mais agressivo de cantar do que o de seu antecessor, Marcos de Canha. Em “No Fear...”, cada detalhe foi meticulosamente bem cuidado, começando pela arte gráfica feita pelo requisitado artista João Duarte, até a produção assinada por Edu Falaschi e a mixagem e masterização realizadas em Los Angeles (EUA), por Damien Rainaud. Tecnicamente, o resultado ficou surpreendente. Falando das músicas, “Bleeding In Silence” tem riffs e bumbos vigorosos, que chegam impondo respeito, além de contar com um ‘bridge’ melódico, que antecede o refrão marcante; “Unmasked Files” (que foi lançada em 2015 como single) lembra o Anthrax na fase pós-retorno de Joey Belladonna; A pesada “231” é o carro-chefe e até ganhou ‘lyric video’; “Move On” é uma das melhores, tem as estrofes cantadas em cima de uma levada ‘mid tempo’, mas depois ganha velocidade; “Mistakes And Scars” é uma das mais porradas, por outro lado, a emocional “No More Lies” chega na contramão, com um clima mais ameno e uma melodia vocal e refrão sensacionais – minha preferida, desde a primeira audição; As duas seguintes, “Holy Journey” e “Victorious” remetem ao Queensrÿche; “Payback Time” é a mais veloz de todas e foi a escolhida para fechar o material. Instrumentalmente, Humberto Zambrin (bateria) e Guilherme Momesso (baixo) formam uma cozinha criativa, que dá consistência para Ricardo Oliveira - que tem uma pegada Hard - despejar riffs pesados e solos muito bonitos. Já Krichinak, o vocalista se encaixou muito bem na banda, mostrando drives potentes e linhas para lá de cativantes. Que belo ‘full lenght’!

Leandro Nogueira Coppi

Crédito: Pati Patah

Capa alternativa

TRACKLIST:
1- Bleeding In Silence
2- Unmasked Files
3- 231
4- Move On
5- Mistakes And Scars
6- No More Lies
7- Holy Journey
8- Victorious
9- Payback Time

LINE UP:
Cleber Krichinak – vocals
Ricardo Oliveira – guitarra
Guilherme Momesso – baixo
Humberto Zambrin – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.attractha.com
www.facebook.com/attractha
contato@attractha.com (contato)

23 de setembro de 2016

PATRICK PEDROSO - Labyrinth (2015)

Independente – Nac.



É impressionante como vem crescendo no Brasil o mercado fonográfico de guitarristas dedicados à música instrumental. Só para dar uns exemplos, Wagner Gracciano, Wael Daou, Márcio Sanches, Cauê Leitão, Marcos De Ros, Luis Kalil, Dallton Santos, Nando Moraes, Rodrigo Flausino e Walsuan Miterran, todos eles têm fomentado esse mercado com seus álbuns. Agora, o catarinense Patrick Pedroso (Warfield) entra para a turma com esse “Labyrinth”. Se é que foi intencional, o material nem soa tanto como um disco voltado à música instrumental, pois as bases de guitarra não ficaram em segundo plano, já que ganharam seu espaço em meio aos solos habilidosos de Pedroso. Senão, vejamos... Após a breve e amena introdução, “New Ways”, ele chega mostrando velocidade em “Rage Of The Storm”, “Only Ashes”, “Revolution” (que ganhou videoclipe), “Some Creation” e também em “Sounds Of Mind”, que evidenciam a influência que o guitarrista carrega de Heavy Metal, de Speed Metal e até mesmo de Neoclássico. “New Days” é a que mais tem cara de música instrumental, mais melodiosa, essa composição remete aos trabalhos dos lendários Steve Vai e Joe Satriani. “Inspiration” é uma das mais belas composições que ouvi nos últimos tempos, por parte de guitarristas solos, e, se me permite o trocadilho, nessa Patrick Pedroso estava realmente inspirado, pois essa música é de uma beleza sublime. “Visions Of Time” tem um começo acústico, que logo é substituído por peso e velocidade, ao contrário da derradeira “Freedom”, que além de ser acústica do começo ao fim, ainda contou com partes orquestradas. Pena que tanto essa quanto “Inspiration” são bem curtas. Ao seu lado, Patrick Pedroso contou com Jarlisson Jaty (bateria) e com Marcos Janowitz (baixo), com o qual dividiu a produção, que, sinceramente falando, poderia ter sido mais lapidada. “Labyrinth” não traz nada de inovador, mas, se o que vale aqui é boa música, então esse álbum me convenceu.

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- New Ways
2- Rage Of The Storm
3- Only Ashes
4- Revolution
5- New Days
6- Some Creations
7- The New World Was Born
8- Inspiration
9- Visions Of Time
10- Sounds Of Mind
11- Freedom

LINE UP:
Patrick Pedroso – guitarra e violão
Marcos Janowitz – baixo
Jarlisson Jaty – bateria

CONVIDADOS:
Jaison Danielli – violão
Karim Serri – guitarra
Anghelo Rodrigues - teclado

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/patrickpedrosogt
www.youtube.com/channel/UC5R1qQTRZCHqBW7HbOBspAg
patrickpedroso@hotmail.com (contato)


21 de setembro de 2016

MELANIE KLAIN - Análise Do Caos (2016)

Independente – Nac.



O título do álbum e a introdução circense que abre o ‘debut’ do Melanie Klain representam bem o que o ouvinte irá encontrar em relação ao conteúdo lírico desse material, pois, música por música, a banda esculachou, sem papas na língua, diversos setores responsáveis pelo pandemônio em que o Brasil se encontra. Sendo assim, sobrou para políticos, para líderes religiosos (ou falsos profetas, se preferir) e até mesmo para o próprio povo que em grande parcela é culpado por muita coisa errada que acontece no país. Tudo isso é regado a uma sonoridade que não se limita a algum gênero em específico. Portanto, é mais fácil resumir o trabalho do Melanie Klain como sendo Metal pesado, assim mesmo: curto e grosso! “Abençoados Por Deus”, por exemplo, tem influências evidentes de System Of A Down, devido, principalmente, ao modo que Duzinho encaixou as melodias vocais, que ficou parecido com o de Serj Tankian, mas também pela estrutura de algumas passagens, que contam com aquele jeito ‘non sense’ do grupo estrangeiro. “Diálogo” também chama a atenção, pois ela chega mais acelerada e com divisões vocais interessantes: enquanto uma voz vem rasgada, a outra é mais narrada. Além disso, essa conta com um solo de guitarra extenso (pouco mais de um minuto) e bem legal. Falando em guitarra, o Melanie Klain conta com três guitarristas, que são, o próprio Duzinho, e também, Viola e Chapolin. Outras composições que se destacam são, a misteriosa “Fé Cega”, que tem um andamento sombrio e que mostra certa influência do Rap nacional no jeito de Duzinho cantá-la, também em forma de narrativa, as variadas “Coléra/Nação” e “Rede Social”. Se você está pensando que a banda prega algum tipo de anti-patriotismo, espere até o final e ouça a derradeira “Reflexão”, que ela te explicará a intenção da banda. Cuidando dos exageros, o Melanie Klain tem tudo para despontar, já que possui algo que muita gente gosta: diferencial!

Leandro Nogueira Coppi




TRACKLIST:
1- Intro (Desrespeitável Público)
2- Abençoados Por Deus
3- Diálogo
4- Fé Cega
5- Guerra
6- Marcas Do Abandono
7- Lavagem Cerebral
8- Cartas De Um Suicida
9- Cólera / Nação
10- Rede Social
11- Análise Do Caos
12- Reflexão

LINE UP:
Duzinho – vocal e guitarra
Viola – guitarra
Chapolin – guitarra e backing vocal
Vic – baixo
Pedro Bertti – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.melanieklain.com.br
www.facebook.com/mkbanda.oficial
www.soundcloud.com/melanie-klain
www.roadie-metal.com/press/melanie-klain (imprensa)

MOBY JAM - Sem Juízo (2014)

Independente – Nac.



Lembra daquele frenesi musical que surgiu durante os anos 80 com bandas como Capital Inicial, Legião Urbana, Paralamas Do Sucesso e Barão Vermelho, por exemplo? Essas e outras forjaram o que ficou conhecido como “Rock Brasileiro”. Pois bem, o grupo carioca Moby Jam quase nada tem a ver com esses exemplos, já que suas músicas possuem guitarras e ‘grooves’ que são pouco mais pesados, porém, se tivesse sido formado naquela época, se encaixaria perfeitamente à essa onda de “Rock Brasileiro”. Nesse ponto, faz muito sentido a forma como a própria banda se define, se autodenominando como “Rock Freestyle”, pois é bem isso mesmo. Em “Sem Juízo”, há muita variedade musical e isso faz com que as composições do Moby Jam se distinguam. Só para citar alguns exemplos, “Purpurina” e também a faixa que dá nome ao material, formam um Rock and Roll simples, porém, energético e com toques setentistas; “Sol”, “Chuva Ácida” e “O Voo” são mais amenas e trazem um lado Pop, em que, automaticamente, você se deparará com as semelhanças vocais de Marcelo Vargas com Lulu Santos. “Homem De Gelo” é a mais pesada, embora ela seja cadenciada. Há também um cover de “Brilhar A Minha Estrela (Dá Mais Um)”, clássico da lendária banda conterrânea ao Moby Dick, Sangue Da Cidade, composto por Sérgio Vid (Vid & Sangue Azul), e essa versão não ficou descaracterizada, já que não perdeu a pegada Reggae, mas, em contrapartida, ganhou alguns toques de psicodelia no instrumental. Algo favorável foi a presença do músico convidado Márcio Pombo, que acrescentou positivamente inserindo instrumentos como piano e Hammond, por exemplo, em algumas das músicas. Quanto à produção realizada pelo próprio power trio, que é completado por Elson Braga “Tchuco” (baixo) e por Augusto Borges (bateria), ela poderia ter sido um pouco mais caprichada. De forma geral, o Moby Jam apresentou nesse álbum um trabalho simples, agradável e honesto, que vale ser conferido.

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- Purpurina
2- Sol
3- Chuva Ácida
4- Descalabro
5- Homem De Gelo
6- Brilhar A Minha Estrela (Da Mais Um) (Cover do Vid & Sangue Azul)
7- O Voo
8- Sem Juízo

LINE UP:
Marcelo Vargas – vocal, guitarra e violão
Elson Braga (Tchuco) – baixo
Augusto Borges – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/funpagemobyjam
www.mobyjamoficial.com
www.youtube.com/user/mobydickvarresai
www.soundcloud.com/moby-jam

NO TRAUMA - Viva Forte Até O Seu Leito De Morte (2016)

MS Metal Records – Nac.



Antes de tudo, sinto necessário dizer que acho interessante o capricho que as bandas de Metalcore costumam ter em relação à produção de seus álbuns. E o No Trauma entra nesse rol, já que, nesse quesito, o grupo carioca chamou para si a responsabilidade de comandar os botões do estúdio e apresentou um trabalho de “gente grande” em “Viva Forte Até O Seu Leito De Morte”, seu ‘debut’. Musicalmente falando, o grupo formado em 2011 e que tem em seu ‘line up’ o vocalista Hosmany Bandeira, o guitarrista Tunninho Silva, o baixista Johnny Boy e o baterista Marvin Tabosa, apresenta alguns pontos em comum com as bandas paulistanas Project 46 e John Wayne, principalmente nas horas em que, instrumentalmente, as partes mais agressivas comem soltas nas composições.  E é com sangue nos olhos que o No Trauma dá as boas vindas ao ouvinte, com uma dobradinha nervosa, formada por “Fuga” e “Quimera”. A música seguinte, “M.M.A.” (sigla para “Meu Mundo Artificial”), chega mais melódica, mas depois descamba para a velocidade, vê o peso voltando a ganhar forma e lá pelas tantas o exímio Marvin Tabosa coloca uma levada de bumbos impecável. Os vocais em coro, gravados pela banda e por alguns convidados, deram um ar de Biohazard à essa composição. “O Chamado” começa com uma levada “meio torta” e depois ganha ‘groove’. “Força” tem aquelas tradicionais divisões de vocais, só que, ao invés da segunda voz ser melódica, é um vocal influenciado pelo Rap que faz o acompanhamento para a voz principal, que é bem rasgada. Curiosamente, a bela e curta instrumental acústica, “Sedativo”, prepara o clima para “Demonocracia”, que é uma das mais cacetadas do material. “Sawabona Shikoba” é a faixa que encerra o material e dentre todos os destaques citados é uma das mais legais. O público de Metalcore não tem do que reclamar em relação à qualidade das bandas nacionais do gênero e o No Trauma é mais um forte representante.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
01- Fuga
02- Quimera
03- M.M.A.
04- Massa De Manobra
05- O Chamado
06- Força
07- Sedativo
08- Demoniocracia
09- Igualdade
10- Algemas Do Medo
11- Viva Forte
12- Sawabona Shikoba

LINE UP:
Hosmany Bandeira – vocal
Tunninho Silva – guitarra
Johnny Boy – baixo
Marvin Tabosa - bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.notrauma.com.br
www.facebook.com/NoTraumaOFICIAL
notraumaoficial@gmail.com (contato)

19 de setembro de 2016

D.I.E. II - (2016, EP)

Independente – Nac.



Passaram-se quatro anos desde que o D.I.E. lançou o seu homônimo EP de estreia. O tempo foi longo, mas a formação da banda segue intacta com os “mascarados” Charles Guerreiro (vocal), Hell Hound (guitarra), Roger Vorhess (baixo) e Mortiz Carrasco (bateria). Esse fator gerou um entrosamento que talvez explique a porradaria que continua comendo solta na sonoridade da banda. “II” é uma continuação do primeiro EP e desde a sua capa isso fica evidente. Feita por Thiago D’Angelo, ela possui a mesma arte do antecessor, só que com as cores neutras invertidas. Mas houve mudança na produção e agora quem a assina é a própria banda, junto com Fabiano Gil e Umberto Buldrini (músicos do SIOD). E a equipe atingiu um resultado satisfatório, que deixou o som encorpado. O EP abre com a pegada Hardcore e o ‘groove’ bem legal de “Truth Like Yourself” e fica ainda mais agressivo com a veloz “Religion”, que vem na sequência. A introdução em ritmo indiano, que descamba para algo mais clássico e misterioso, cria o clima para a cadenciada “Space To Destroy”, que em alguns momentos ganha velocidade. Nessa, ficou legal os arranjos que Carrasco fez nos bumbos, dando algumas aceleradas isoladas que deram um brilho a mais à composição. O encerramento vem com “Lost”, música que abrange um pouco de tudo o que foi mostrado nas faixas anteriores. Agora que o D.I.E. apresentou dois EP’s bastante equilibrados, é hora de pensar no primeiro ‘full lenght’.

Leandro Nogueira Coppi 


TRACKLIST:
1-    Truth Like Yourself
2-    Religion
3-    Space To Destroy
4-    Lost

LINE UP:
Charles Guerreiro – vocal
Hell Hound – guitarra
Roger Vorhees - baixo
Mortiz Carrasco – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/diecrossover
www.diecrossover.bandcamp.com
www.youtube.com/channel/UCFZtzDubbiOcLc0VCdrTcNA
www.soundcloud.com/dxlxex-crossover

REBOTTE - Insurgência (2016, EP)

Independente – Nac.


Apesar de o novato grupo Rebotte estar estreando fonograficamente agora, a impressão que dá ao ouvir esse EP “Insurgência”, é a de que estamos diante de uma banda bem mais experiente do que ela realmente é. Isso porque, desde a produção feita por Rogério Oliveira, até a qualidade das composições, fica perceptível o capricho e o profissionalismo desse sexteto paulistano, que é formado por Lívia Almeida (vocal) Bruno Abud (guitarra e vocal), Vitor Acacio (guitarra), Robin Gaia (baixo), Santiago Soares (sampler, teclado e vocal) e Ellen War (bateria). O grupo pratica um Deathcore bastante visceral, bem trabalhado e com algumas singularidades, como, por exemplo, o uso de samplers, que foram muito bem encaixados por Santiago Soares. Além disso, Lívia, que é dona de um gutural bastante potente, tem a companhia vocal do próprio Santiago, que segue uma linha mais rasgada, e também de Abud, que canta de forma mais melódica. Entre os destaques estão a cadenciada “Discórdia”, que tem presença marcante e com efeitos do baixo de Gaia, “Amanhecer”, que tem uma levada martelante e um clima bem legal no refrão e, por fim, a derradeira, “Existência”, em que podemos perceber influências do Heavy Metal mais tradicional em alguns riffs. A capa de Henrique Baptista com ilustrações de Hugo Silva também merece destaque. Com esse lançamento, o Rebotte pode ser considerado como uma das gratas revelações do Metal nacional de 2016.

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1-    Insurgência
2-    Cicatrizes
3-    Discórdia
4-    Amanhecer
5-    Existência

LINE UP:
Lívia Almeida – vocal
Bruno Abud – guitarra e vocal
Vitor Acacio – guitarra
Robin Gaia – baixo
Santiago Soares – sampler, teclado e vocal
Ellen War – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/Rebotte
www.youtube.com/bandarebotte
www.instagram.com/bandarebotte
bandarebotte@gmail.com (contato)
www.metalmedia.com.br/rebotte/index.php (imprensa)

DEATH CHAOS - Prologue In Death & Chaos (2016, EP)

Independente – Nac.




É surpreendente fazer uma analogia com o passado e pensar na evolução das gravações e no amadurecimento musical, principalmente quando falamos do cenário nacional do Heavy Metal. Se naquela época grande parte das bandas penava para apresentar um primeiro trabalho com resultado satisfatório, nas últimas décadas as formações mais recentes puderam se dar ao luxo de desfrutar das facilidades tecnológicas e também de se aperfeiçoar musicalmente, tendo acesso mais fácil à bons instrumentos, informações e formas de estudo. O estreante Death Chaos, por exemplo, chega com os dois pés no peito com esse seu primeiro EP, deixando o ouvinte impressionado com a imponência de seu Death Metal forjado por composições grandiosas, bem estruturadas e que não são baseadas apenas em velocidade, mas também em peso, cadência, melodia e variações climáticas. Isso sem contar que até em relação à produção a banda se deu bem, fazendo por contra própria e atingindo um nível acima da média, já que, apesar do peso natural do gênero a que se submete fazer, não houve concessões quanto à limpidez da gravação. Sustentadas por riffs intrínsecos das guitarras muito bem timbradas de Júlio Bona e de David Oliver, pelo vocal impiedoso de Denir “Deathdealer” e pela bateria trampada de Ueda, todas as cinco músicas se destacam. Que o Death Chaos não demore a soltar seu ‘debut’ e que mantenha a qualidade. Vida longa a esse grupo curitibano!

                                                                                                 Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1-    You Die I Smile
2-    Death Division
3-    House Of Madness
4-    Erased Sky
5-    You Are Not You

LINE UP:
Denir “Deathdealer” – vocal e baixo
Júlio Bona – guitarra e backing vocal
David Oliver – guitarra
Ueda – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/deathchaosmetal
www.youtube.com/channel/UC2dHnRKIzZpTKaHjClhZEhw
deathchaosoficial@gmail.com (contato)

DOLORES DOLORES - ID Superpower (2014)

Independente – Nac.


Como é bom quando bandas como o Dolores Dolores não se prendem à área de conforto de um único gênero e mostram qualidade em quaisquer outros estilos por onde quer que vagueiem. No caso desse segundo álbum dos belo-horizontinos, são perceptíveis os passeios musicais que o grupo faz nesse sentido. E isso é feito com muita naturalidade por Wille Muriel (vocal), Humberto Maldonado (guitarra), Alessandro Bagni (bateria) e pelo estreante Rodrigo Cordeiro (baixo). A breve abertura vem com a ‘zeppeliana’ faixa acústica, “Infant Sorrow (Prelude)”, que logo é substituída pelo ‘hardão’ de “Confused”, que tem um riff contagiante e um baixo pulsante, que dão o pano de fundo para as ótimas linhas vocais de Muriel, que em 2005 chegou a passar pela lendária banda conterrânea, Kamikaze. “Behind The Hills”, que vem a seguir, é fantástica e remete ao que o The Cult fez em seu álbum homônimo de 1994, principalmente pelo estilo e pelos timbres vocais adotados por Muriel, que demonstra ser influenciado também por Bono Vox, e isso fica ainda mais evidente em “Crystal Ball”, que por si só tem muito da banda irlandesa. Tanto essas duas músicas quanto a derradeira “Infant Sorrow”, foram agraciadas com videoclipes. “Perfect Man” é sofisticada, conta com ótimo trabalho de Maldonado e linhas impecáveis de vozes. “Nothing To Lose” e “In Spite Of Me” trazem cadência ao material, enquanto que “Waiting For A Train” e “Time To Confess” têm um toque setentista, psicodélico e ao mesmo tempo progressivo. “Mama Technology” vai numa linha cheia de referências do Queen, banda que já foi homenageada por Muriel e por Humberto, quando de seus tempos tocando no tributo “Queen Express”. A arrastada “I Was Wrong” é puxada para o Metal, porém, tanto “Dramatic Lover” quanto a derradeira “Infant Sorrow” possuem um ‘punch’ mais Hard. É simplesmente impecável o trabalho dessa banda. Portanto, não perca tempo e vá conferir!

                                                                                                            Leandro Nogueira Coppi


 
TRACKLIST:
1-    Infant Sorrow (Prelude)
2-    Confused
3-    Behind The Hills
4-    Crystal Ball
5-    Perfect Man
6-    Nothing To Lose
7-    Waiting For A Train
8-    Mama Technology
9-    I Was Wrong
10-    In Spite Of Me
11-    Time To Confess
12-    Dramatic Lover
13-    Infant Sorrow

LINE UP:
Wille Muriel – vocal
Humberto Maldonado – guitarra
Rodrigo Cordeiro – baixo
Alessandro Bagni – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.doloresdolores.com
www.facebook.com/doloresdoloresbanda
www.youtube.com/channel/UCVFyZELW9srzNpcikKif--A/videos
www.instagram.com/doloresdoloresrock

5 de setembro de 2016

SIOD - esSIODio (2016)

Independente – Nac.


Muitos de nós costumamos pregar que o importante na vida é vivê-la de maneira à valorizarmos o amor, mas é inegável que, infelizmente, o ódio muitas vezes caminha lado a lado com esse outro sentimento. Um exemplo disso é o que nós brasileiros vemos acontecer nas redes sociais, principalmente nesse período inflamado que o país está vivendo, onde a crise política tem sido a maior causadora de discórdia, desunião e propagação extrema do ódio. E é isso que esse power trio do interior de São Paulo faz questão de mostrar em “esSIODio”, seu álbum de estreia, que passa a mensagem de que não adianta fugirmos do ódio e sim encará-lo de frente, afinal, ele está incrustado em nosso cotidiano. E esse sentimento natural e pernicioso, provocado por essas questões e também pelas nossas neuroses e problemas diários, está escancarado nas letras ácidas e no instrumental nervoso dessa banda que é formada pelo vocalista e guitarrista Umberto Buldrini, pelo baixista Fabiano Gil (ambos produtores de “esSIODio”) e pelo baterista André Silva. Se enganará quem se deixa levar apenas pelos riffs e pelas levadas das duas primeiras músicas, “Maldade” e “Traumatismo Moral”, que têm uma pegada bastante Rock and Roll, porque daí pra frente, há muito mais peso e agressividade. A faixa título, por exemplo, é agressiva só de ler sua letra, que escancara a realidade das futilidades que são levadas mais à sério do que o que deveria ser prioridade nesse país, realmente fica difícil segurar o ódio. A cadenciada “Buraco Da Fé” tem um riff que remete ao Pantera e uma letra que é uma verdadeira estocada no peito dos charlatões, que na pele de líderes religiosos, exploram o povo. A curta “Cercado de Vermes” fecha com um instrumental intrínseco, que dura quase dois minutos até que Umberto entre cantando e despejando sua revolta. Boa produção, instrumental bem trabalhado e letras que pelo jeito serão atuais para sempre nesse mundo louco, representam “esSIODio”. 

Leandro Nogueira Coppi

TRACKLIST:
1- Maldade
2- Traumatismo Moral
3- esSIODio
4- Paranoia
5- Buraco Da Fé
6- Coragem Amigo
7- Não Tira Não
8- Cercado De Vermes

LINE UP:
Umberto Buldrini – vocal e guitarra
Fabiano Gil – baixo
André Silva – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.siodbr.com.br
www.facebook.com/siodbr/?fref=ts
www.soundcloud.com/siod
www.twitter.com/esSIODio

27 de agosto de 2016

KHROPHUS - Eyes Of Madness (2013)

Brutal Records – Nac.



O Death Metal brasileiro sempre esteve bem das pernas e nunca deveu nada a formações de país nenhum. Isso é fato. Esse terceiro ‘full lenght’ do veterano Khrophus é um bom exemplo disso. O material nos chega somente agora em mãos, porém, foi lançado em 2013. Do line up que o gravou e que estava junto desde 2007, Alex Pazetto (vocal e baixo / Vulkro) não acompanha mais os remanescentes Adriano Ribeiro (guitarra) – único integrante da formação original – e Carlos Fernandes (bateria / Brutal Butchery), tendo sido substituído no ano passado por Leonardo Chagas (Osculum Obscenum, Soulscourge e Austhral), que assume suas duas funções no grupo. A começar pela excelente produção que foi realizada pela própria banda, tendo a mixagem e a masterização feitas por Alexei Leão, “Eyes Of Madness” é um álbum técnico e brutal, na medida certa. Há muita homogeneidade ao longo das dez músicas que compõe o material e isso faz com que elas, de certa forma, se amarrem. Não existe encheção de linguiça, já que cada faixa não chega nem aos quatro minutos de duração, mas, mesmo sendo curtas, elas são bastante trabalhadas e variam partes rápidas à outras mais cadenciadas. De maneira geral, é perceptível a influência que o Khrophus carrega de bandas como as norte-americanas, Cannibal Corpse e Dying Fetus, porém, sem soar como cópia. Em relação às músicas, apesar da citada homogeneidade existente entre elas, algumas se destacam, como é o caso de, “Dead Face”, “The Book Of The Dead”, “Lost Initiations”, “Master Of Shadows”, “Harvest (Eyes Of Madness)” e “Smoke Screen”, todas contando com riffs bastante inspirados de Adriano Ribeiro, que é o responsável pelas letras das músicas. Pazetto e Fernandes também fazem um belo trabalho em suas funções. “Smoke Screen” e “Interposition” ganharam seus devidos videoclipes. Já está na hora de o Khrophus lançar um novo álbum, e tomara que ele venha, no mínimo, no nível de “Eyes Of Madness”.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Smoke Screen
2- Dead Face
3- By The Sun
4- Interposition
5- Forbidden Melodies
6- The Book Of The Dead
7- Lost Initiations
8- Master Of Shadows
9- Harvest (Eyes Of Madness)
10- Chimeras

LINE UP DA ÉPOCA:
Alex Pazetto – vocal e baixo
Adriano Ribeiro – guitarra
Carlos Fernandes – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.khrophus.com
www.facebook.com/Khrophus/?fref=ts
www.twitter.com/khrophus
www.youtube.com/user/khrophusdeath
www.reverbnation.com/khrophus
www.last.fm/pt/music/Khrophus
www.sanguefrioproducoes.com/contato (imprensa)
brutalproductions@hotmail.com (selo)

SAGRAV - The Lynching (2015, EP)

Independente – Nac.


Tão logo surgiu em 2014 e já no ano seguinte o Sagrav estreava com esse interessante EP conceitual. Liricamente, o grupo chapecoense explora fatos históricos de sua região, precisamente o polêmico caso da queima da Igreja matriz e o linchamento de quatro presos, que aconteceu em 1950. Talvez esse teor assombroso justifique a atmosfera pesada, melancólica e tensa que envolve o material. É difícil apontar um gênero específico ao qual o Sagrav realmente se encaixa, mas a banda fica em um meio termo entre o Thrash, o Heavy Tradicional e o Doom Metal, com um instrumental simples, porém, instigante - embora a banda possa evoluir em trabalhos futuros. Após introdução, “Dark Feelings” chega cadenciada e vai ganhando velocidade em seu decorrer. Nela, a forma de cantar de Zauza e a pegada do baixista Prota se destacam. A faixa título vem a seguir, mais pesada, acelerada e com alguns riffs de guitarra e de baixo que deixam ainda mais clara a influência de Heavy oitentista. Por fim, a derradeira “1310” é uma faixa instrumental, onde a banda não se preocupou em esbanjar técnicas individuais e sim com o clima a que se propôs. Embora simplista, a arte gráfica desenvolvida por Rafael Panegalli expressa bem o conceito abordado pelo Sagrav. A produção também não é um primor, mas, assim como a capa, combinou para a ambiência da história contada em “The Lynching”, que é um trabalho diferenciado para o Metal nacional. Vale conferir.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Intro
2- Dark Feelings
3- The Lynching
4- 1310

LINE UP:
Cristiano Zauza – vocal e guitarra
Prota – baixo
Bugre – bateria

LINKS RELACIONADOS:
www.facebook.com/SagravMetal
www.soundcloud.com/sagravmetal
www.tnb.art.br/rede/sagrav
www.youtube.com/channel/UCt-x8km9mxuU1YhwP1gHvkA