17 de abril de 2017

SANCTA

Compositores entrevistados: Márcio Souza Prates (vocalista e guitarrista) e Bruno Wedel (bateria)
Álbum: Sancta [EP]
Ano: 2016
Matéria conduzida por Leandro Nogueira Coppi



ESPAÇO ABERTO PARA O ENTREVISTADO

Bruno Wedel: Dois anos após o surgimento da banda, ela passou por uma reformulação na qual somente eu e a Silvana (N.R.: Wedel, guitarrista) permanecemos. Na primeira formação não participávamos das composições, pois elas vinham prontas. Já na nova fase nos envolvemos nelas e quase todas as letras são escritas por mim, enquanto que grande parte dos riffs e bases é composto pela Silvana. Com isso, a cara da banda sofreu uma mudança, mas tentamos manter a essência que caracterizava os primeiros anos da banda. Foi, e ainda está sendo, um desafio aprender a compor, pois o barco estava andando. Esse EP é fruto das nossas primeiras composições e estamos finalizando-as para o primeiro ‘full lenght’. Não posso deixar de citar a grande colaboração do nosso amigo e produtor, Sol Perez (N.R.: guitarrista do Semblant), que nos incentivou e nos convenceu a gravar o material. Com recursos bastante limitados, mas com um bom conhecimento técnico e grande feeling, ele conseguiu um ótimo resultado final, surpreendendo a cada integrante da banda. Vários arranjos e, principalmente, solos, são fruto do trabalho e das ideias do Sol. 





FAIXA A FAIXA

ESTRADA SEM FIM 
Márcio Souza Prates: Essa letra eu já havia apresentado na primeira formação da banda, mas ela foi bastante modificada, fugindo da ideia inicial que eu tinha em mente. Com o fim daquela fase, resgatei a letra, o que foi ponto de partida para nossa primeira composição. A letra dessa música propõe uma reflexão sobre os limites e até mesmo o significado da vida. Ela nos proporciona momentos bons, aos quais devemos aproveitar. Mas a mensagem da música nos traz a possibilidade de que a existência humana transcende o limite da morte. A questão é: será que devemos pensar somente no aqui e no agora?

PRATICE THE TRUTH
Bruno: Assim como em “Estrada Sem Fim”, essa música também foi proposta na primeira fase da banda. A Silvana mostrou o riff para os outros integrantes, que optaram em não aproveitá-lo. Como agora tínhamos mais espaço para colocar nossas ideias em prática, ela resolveu compor o restante da música, que casou muito bem com a letra que o Márcio havia escrito. “Pratice The Truth” é um alerta ao engano de uma fé cega, onde as palavras dos líderes religiosos são uma verdade inquestionável. Mostra o objetivo de muitos desses religiosos e indica a saída, que não é negar a fé, mas sim, buscar a verdade através do conhecimento, que nos liberta do engano. É um chamado à prática daquilo que realmente se crê.

BURNING SHADOWS 
Bruno: Essa música tem uma história interessante. Eu estava trabalhando e do nada o refrão veio à minha mente. Cantarolei-o, criando letra e melodia do refrão naquele momento. Só que eu não podia parar o trabalho e escrever. Só anotei a letra do refrão em um caderno para não esquecer e mais tarde, no mesmo dia, o restante da letra brotou naturalmente. Mostrei a ideia do refrão e a letra para o restante da banda, destacando que a letra retrata um contexto de obscuridade da mente e da alma. De forma natural, o restante da banda foi montando o quebra-cabeça, cada um fazendo uma parte e, quando menos esperávamos, o esqueleto da música estava pronto. Talvez, uma das maiores características dessa música seja a base quebrada, cheia de contratempos que a Silvana faz. Ouvindo somente a guitarra dela temos a impressão de que esteja tudo atravessado. Na gravação, Sol Perez achou que estava tudo errado. Ele precisou estudar o que a Silvana fez, para depois entender a ideia dela. Quanto a mensagem da música, trata-se do retrato de uma vida atormentada pelos traumas, marcas e sombras do passado, que não deixam a pessoa viver. O passado faz parte da nossa história, mas não precisa necessariamente determinar quem somos, muito menos escrever nosso futuro. As influências de experiências negativas devem ser queimadas, nos libertando para um futuro onde podemos ser felizes.

LOST PLACE 
Bruno: Semelhantemente às outras músicas, a Silvana mostrou um riff e na hora lembrei de uma letra que eu tinha guardada. Sempre tentamos compatibilizar a mensagem da letra com o ambiente musical. A partir da base desenvolvida pela Silvana, a linha de vocal foi desenvolvida e tornou-se uma música com características pouco diferentes das músicas até então compostas, mas cujo resultado final ficou bem interessante. “Lost Place” é uma viagem para dentro de si mesmo, em busca do autoconhecimento. Há muito em comum com as três perguntas clássicas: “quem sou?”, “de onde vim?”, “para onde vou?”. É uma busca no âmbito não só do autoconhecimento psíquico, mas também espiritual.


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3 de abril de 2017

SOUL INSIDE - No More Silence (2015)

Independente – Nac.


Apesar de ser considerado um grupo novato, o Soul Inside mostra nesse seu primeiro álbum, “No More Silence”, muita maturidade musical. Também, pudera, essa boa revelação é oriunda da cidade de Lavras, o que nos leva a refletir que parece mesmo que a água que se bebe em Minas Gerais é realmente diferente, pois, como qualquer headbanger deve saber, sempre foi comum surgir excelentes bandas de Thrash, Death ou mesmo de Black Metal nesse estado que é responsável por formações que se tornaram lendárias e cultuadas mundo afora.
O Soul Inside aposta no peso do Thrash e do Death Metal em seu som, mas deixa transparecer em algumas músicas certas referências - ainda que de maneira discreta - de Heavy Metal Tradicional, principalmente no que diz respeito a alguns arranjos de guitarra e até mesmo de linhas vocais. Além disso, vez ou outra, nota-se um groove mais voltado ao Metal atual.
O vocal urrado e por vezes rasgado de Bruno de Carvalho dá consistência ao peso natural da banda. Na função também de baixista, Bruno forma uma cozinha bastante competente com o baterista Renan Seabra. Já as guitarras soam corrosivas a todo o momento, principalmente quando o assunto é timbre. Beto Siqueira e Eduardo Petrini oferecem riffs intensos e boas construções de arranjos, sendo que o segundo lança mão de solos melodiosos. 
Apesar da sonoridade agressiva e pesada, há músicas em “No More Silence” que dispõem de partes com atmosferas muito envolventes, como são os casos, por exemplo, de “Child Of War” e da derradeira “Sands Of Truth”, ambas com seus devidos dedilhados iniciais.
“Again The Nightmare” e “Unholy Temple” já haviam aparecido na demo intitulada “Perpetual”, que o Soul Inside lançou em 2013, e casaram bem com o restante do material.
Nesse álbum de estreia o Soul Inside mostra que o Metal das Minas Gerais continua sendo bem representado e que o estado ainda tem muita coisa boa para oferecer ao cenário.

         Leandro Nogueira Coppi




TRACKLIST:
1- Child Of War
2- Fight The Despair
3- Again The Nightmare
4- Life Of Lies
5- No More Silence
6- The Killer Inside
7- Unholy Temple
8- Sands Of Truth

LINE UP:
Bruno de Carvalho – vocal e baixo
Beto Siqueira – guitarra base
Eduardo Petrini – guitarra solo
Renan Seabra – bateria

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SKINLEPSY - Dissolved (2017)

Shinigami Records – Nac.



O título da faixa “The Hate Remains The Same” resume muito bem o que é esse novo álbum do Skinlepsy. Comparado ao seu antecessor, o ‘debut’ “Condemning The Empty Souls” (2013), “Dissolved” mostra que o ódio da banda realmente continua o mesmo, lírica e musicalmente falando. Em “Dissolved”, o Thrash/Death Metal old school refinado por toques modernos é novamente colocado em prática pelo Skinlepsy e forma a trilha sonora perfeita para o discurso do grupo a respeito de questões que assombram o nosso cotidiano, como guerras, terrorismo, drogas e exploração por meio da religião.
Embora tenha havido um hiato de quatro anos entre os dois álbuns, “Dissolved” começou a ser confeccionado em 2015. Essa maturação, somada a ótima produção - novamente assinada por Roberto Toledo (MX, Anthares) -, certamente intensificou a brutalidade das dez músicas que integram o álbum.
Individualmente, a performance dos músicos está cavalar. A dupla André Gubber e o estreante Leonardo Melgaço (Divine Uncertainty), derrama, de forma voraz, uma rifferama bastante intrínseca e por muitas vezes forjada por palhetadas ultra velozes. E por trás dos tambores, Evandro Junior continua o mesmo trator. Quanto aos vocais, dessa vez Gubber – que foi quem gravou as linhas de baixo - está soando ainda mais visceral e agressivo, e essa sua desenvoltura potencializou o ambiente caótico abordado em cada tema.
Apesar da homogeneidade e da qualidade geral observada em “Dissolved”, é impossível não destacar músicas como “Ask To Diablo”, a própria “The Hate Remains The Same” e a massiva “Blood And Oil”. Vale dizer que foram incluídas uma curta faixa instrumental, “Insomnia”, e uma regravação para “Murder”, da saudosa banda de Gubber e de Junior, Siegrid Ingrid.
Após mais um álbum de qualidade e de atmosfera de tirar o fôlego, sem música lenta ou muito espaço para cadência, o Skinlepsy deixa claro de uma vez por todas que soar causticante é o seu maior diferencial.

 Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- Perfect Plan
2- The Mentor
3- Ask To Diablo
4- The Hate Remains The Same
5- Caustic Honor
6- Dissolved
7- Blood And Oil
8- Insomnia
9- A New Chance Of Life
10- Murder

LINE UP:
André Gubber – vocal, guitarra e baixo
Leonardo Melgaço - guitarra
Evandro Junior – bateria

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https://www.youtube.com/watch?v=zBbAocRB6XY vídeo de “The Hate Remains The Same”

OLDER JACK - Metal Über Alles (2015)

Independente – Nac.



Você aí que está lendo esta resenha e se deparou com o título desse álbum, “Metal Über Alles”, deve estar pensando que por trás dele há alguma referência com a música “California Über Alles”, do grupo Punk, Dead Kennedys. Mas não. A razão disso tem a ver com o fato de que a banda foi formada em Pomerode, cidade que é conhecida como a mais alemã do Brasil.
E não é somente no título do álbum que o idioma é adotado pelo Older Jack, mas também em suas letras. Isso não é algo forçado, porque o alemão é comumente usado nessa cidade catarinense e é considerado como idioma local co-oficial. Esse diferencial faz do Older Jack uma banda, no mínimo, ousada, mas também pioneira e fiel às suas origens. 
Tal fator casa perfeitamente com o Heavy Metal bruto e tradicional do grupo, pois garante ainda mais peso, devido ao fato de que a pronúncia alemã por si só carrega uma força que nem o inglês e nem o português possuem. Como se não bastasse, não é difícil perceber influências das lendas germânicas Accept e Grave Digger no som do Older Jack - Carlos Curt Klitzke, por exemplo, tem uma voz que facilmente agradará aos fãs de Udo Dirkschneider e de Chris Boltendahl -, mas há também alguns traços do britânico Motörhead nas composições. 
O som do Older Jack não tem frescura, não tem firulas, pelo contrário, ele é direto, visceral e cativante. Pena que no Brasil o público não tem a tendência de dar a algumas bandas daqui o mesmo valor dado às estrangeiras. Pegue, por exemplo, a ótima “In Namen Das Geldes”, melhor música de “Metal Über Alles”. Se fosse de alguma das bandas alemãs mencionadas, certamente seria considerada um clássico, da grandeza de hinos como “Balls To The Wall” ou “Heavy Metal Breakdown”. 
O que posso dizer é que temos no Older Jack uma banda que oferece cultura e, acima de tudo, um Heavy Metal contagiante e de qualidade. 
Portanto, não titubeie, corra atrás desse “Metal Über Alles” e leve a Alemanha para sua casa!

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Öl Und Blut
2- Metal Über Alles
3- Fosa
4- In Namen Das Geldes
5- Luft
6- Macumba
7- Wahnsinn
8- Das Ende

LINE UP:
Carlos Curt Klitzke – vocal
Deivid Wachholz – guitarra solo
Hermann Wamser – guitarra
César Rahn - baixo
Bruno Maas – bateria

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GENOCÍDIO

Compositores entrevistados: Rafael Orsi (guitarra), Murillo Leite (vocal e guitarra) e João Gobo (bateria)
Álbum: Under Heaven None
Ano: 2017





FAIXA A FAIXA:

UNDER HEAVEN NONE
Rafael Orsi: A letra conta de forma resumida a história da humanidade e é ao mesmo tempo um pedido de ajuda a outras civilizações, como se fosse uma mensagem para ser decodificada por seres de outros planetas. 
Murillo Leite: Além de deixar claro todo nosso pessimismo com relação ao futuro do ser humano, o instrumental carrega toda essa negatividade com muito peso e distorção, características fundamentais para uma faixa de abertura de álbum.  

REQUIESCAT IN PACE
Rafael Orsi: A ideia para essa letra veio de uma cena do filme “O Código Da Vinci” (2006), em que o assassino da Opus Dei é morto por ter cumprido seu papel. Então criei um “eu lírico” líder de alguma organização religiosa que mata as pessoas depois que elas cometem crimes por ele. O refrão em latim seria uma espécie de ritual para matar a pessoa. Toda a agressividade da música gira em torno da letra.
Murillo Leite: Os coros do refrão foram concebidos na lapidação da mixagem e deram uma perspectiva erudita à música, em contraste com a rispidez Black Metal que domina o som. 

Rafael Orsi

DEATH OF A DREAM
Murillo Leite: A inspiração para esta letra vem da maior catástrofe natural do Brasil, o rompimento da barragem da Samarco em Minas Gerais, que trouxe danos irreparáveis ao Rio Doce e à população que reside e depende economicamente das suas águas. O drama é agravado pelo fato de eu estar internado por conta de uma infecção bacteriológica na época desta tragédia. Ver a fauna e flora afetadas, bem como as cidades e as pessoas, me deixou com um enorme sentimento de indignação. Os diversos andamentos da música mostram a nossa capacidade de compor sem restrição e mantendo a coerência entre os estilos tocados.

WINDED SLEEP
Rafael Orsi: Essa letra teve inspiração em um episódio do seriado House M.D., em que o paciente sofre de paralisia do sono em conjunto com delírios. Depois de ler sobre o assunto, resolvi descrever suas sensações enquanto padece por conta de seus problemas. Preso em sonhos, a música varia em dinâmica, explorando as sensações do personagem.
Murillo Leite: Investimos pesado na harmonização de vozes nesse disco e especificamente nessa música as dobras realçaram a dinâmica contida na letra, narrando de forma perfeita a dramaticidade contida nas palavras. 
João Gobo: Sempre gostei de trabalhar com métricas distintas, síncopas e odd times. Pude contribuir com essas ferramentas, adaptando alguns riffs originais, que eram um pouco mais retos.

MEDIAEVIL
Murillo Leite: O tema manipulação de massas pela mídia é sempre um assunto rico em termos líricos e o trocadilho com a palavra ‘medieval’ foi justamente para expressar o quão ancestral esta prática acontece. Em termos musicais considero uma das músicas mais épicas do Genocídio, com direito a uma quebra surpreendente no meio da música e um dos melhores solos que o Rafael já escreveu, além de um tema maravilhoso de guitarras dobradas. Forte em conteúdo verbal e musical! 

Murillo Leite

THE WOMAN AND THE WITCH
Rafael Orsi: Um conto de terror à moda antiga, com um final triste. Conta a história de uma mulher que é enganada por uma bruxa e passa a vida toda numa ilusão sem saber, e descobre a verdade apenas no fim de sua vida. Música climática e torta, contextualizada com a letra.

YOU’RE ALL SICK
Murillo Leite: É o retrato fiel de uma época em que as pessoas utilizam de forma separatista uma ferramenta que foi inicialmente desenhada para aproximá-las. Ao invés de promover a troca de ideias e experiências, as mídias sociais acabaram tornando-se um muro infindável de julgamentos de opiniões e comportamentos, promovendo a polarização e o ódio gratuito. Em termos musicais é uma faixa calcada no Hardcore, um elemento que usamos bastante nos nossos primeiros álbuns e que novamente foi incorporado à nossa obra.

THEM ARSONISTS
Murillo Leite: Uma música recheada de partes Doom e com referências ao Heavy Metal Tradicional, sem contar os rápidos riffs de Death Metal. Uma faixa cíclica e cuja letra retrata o triste episódio do incêndio do Museu de Língua Portuguesa em São Paulo no final de 2015, onde inúmeras obras literárias importantes de nossa cultura foram impiedosamente incineradas. Um fato relevante desta música é a quantidade de pistas de vozes na gravação, entre vocais e coros temos dezoito canais! Para quem acha que cantar extremo é só urrar ou gritar está aí um dado interessante.

I PLAY YOUR GOD NO MORE
Murillo Leite: Eu tinha esse refrão na cabeça desde o álbum anterior, “In Love With Hatred” (2013), porém, somente agora pudemos materializá-lo. É uma música bem diferente em termos de Genocídio, com um refrão marcante e andamento cadenciado. Há várias camadas de voz e é a única do álbum com afinação em Drop C. A letra fala de um líder arrependido, que abandona seu seguidor após arruinar a  vida deste último, deixando-o completamente sem rumo. É quase uma utopia acreditar que isso possa acontecer em uma relação doentia de submissão, mas foi uma situação que imaginei ser possível numa sociedade onde houver um equilíbrio maior entre as pessoas. 

LAIR OF ALL RATS TO DWELL
Murillo Leite: Mais um som com pegadas de HC, onde expusemos nossa influência por bandas como Discharge e Voivod. Uma faixa de curta duração e com vocais gravados propositalmente jogados em meio ao instrumental. O lar em questão refere-se às instituições em Brasília, onde os ratos do poder se revezam e pouco se importam pelo bem estar de todos que depositaram sua confiança neles. 

João Gobo

BLACK VOMIT (COVER DO SARCÓFAGO)
Rafael Orsi: O João foi o primeiro a sugerir essa música, e por ser uma grande influência para mim, para o Metal nacional e internacional, seria uma ótima escolha para o disco.
Murillo Leite: Até esse momento só havíamos gravado bandas europeias em nossos discos, participamos de um tributo ao Dorsal Atlântica em 1996 sim, mas pelo fato de estarmos celebrando mais de 30 anos de estrada decidimos olhar “para dentro” da nossa cena e escolher uma banda que fosse impactante para o nosso cover. Creio que a escolha foi acertada e conseguimos fazer uma versão matadora desse som.  
João Gobo: Sarcófago sempre foi uma das minhas grandes influências, quando o assunto é o Metal nacional. A ideia de gravar a musica surgiu naturalmente, na medida em que eu ouvia as novas composições que estavam sendo escritas para esse novo trabalho. Tentamos ser extremamente fiéis à versão do disco “The Laws Of Scourge” (1991), que pra mim é mais brutal que a versão original. Uma curiosidade sobre a gravação é que a bateria foi gravada de “prima”. Quando gravei o álbum, ainda estava me recuperando de um processo cirúrgico e, surpreendentemente, sentei e toquei! O resultado foi muito produtivo.

SÖMBERKKAST
Rafael Orsi: Este disco é mais soturno e climático do que os anteriores, e resolvi explorar mais possibilidades de texturas e melodias com o violão, várias guitarras e a percussão mais grave. Foi a única música que terminamos de compor durante as gravações.
Murillo Leite: Outra grande surpresa de “Under Heaven None”, esta instrumental teve seu nome concebido através de uma junção de palavras de idiomas diversos e que significam algo como “o caminho das sombras”.
João Gobo: Desde a primeira vez que o Rafael me mostrou o esboço da composição eu via um grande potencial, mas pouco explorado em algumas áreas, principalmente quanto à percussão e foi aí que trabalhei intensamente, compondo linhas rítmicas sobrepostas, concebidas como um naipe de percussão, aonde um instrumento vai complementando o outro contrapontisticamente. O resultado foi muito bom e deu outra perspectiva à música.

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JAILOR - Stats Of Tragedy (2015)

Independente – Nac.


Há 12 anos o Jailor estreava no cenário com “Evil Corrupts”, um álbum que mostrava uma sonoridade vigorosa, agressiva e veloz, que passou a ser denominada pela banda como “Brazilian Thrash Metal”.
Pena que de lá para cá o Jailor tenha entrado em um hiato fonográfico que só foi quebrado dez anos depois, quando soltou esse seu segundo álbum, “Stats Of Tragedy”. Mas há um lema que diz que “tudo na vida tem um lado positivo”. No caso do grupo curitibano a demora entre os dois álbuns até que foi favorável para que o resultado alcançado em “Stats...” fosse superior ao do seu antecessor. Isso se deu graças à maturidade musical alcançada por Flávio Wyrwa (vocal), Daniel Hatkopg (guitarra) e Emerson Niederauer (baixo - Cirrhosis) e a entrada dos músicos Alessandro Guima (guitarra) e de Jefferson Verdani (bateria – Axecuter, Sad Theory), que somaram bastante para o som do grupo.
Nesse novo petardo, o Jailor soa ainda mais pesado, beirando o Death Metal em alguns momentos. Wyrwa está cantando ainda melhor e mais agressivo, tanto que em certos momentos seu timbre vocal chega a lembrar o do saudoso Chuck Schuldiner (Death/Control Denied).
Estruturalmente, as músicas estão ainda mais técnicas e melhor elaboradas, parte disso devido ao fato de agora o Jailor contar com duas guitarras, o que, a meu ver, é sempre fundamental em uma banda de Thrash Metal. Quanto a Niederauer e Verdani, ambos formaram uma cozinha impecável, pois o que tocam nesse álbum é um absurdo!
Em termos de produção, a evolução é monstruosa. Dessa vez o comando dos botões ficou a cargo de Maiko Thomé Araújo, que soube deixar tudo muito limpo, cristalino e bem timbrado, sem que para isso fosse subtraído o peso das composições.
É difícil destacar uma música ou outra em um álbum tão inspirado e surpreendente como esse. 
Só espero que agora o grupo não demore mais tanto tempo para lançar um novo álbum, porque a minha ansiedade para saber o que virá no terceiro é grande!

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- G. O. D.
2- Human Unbeing
3- Stats Of Tragedy
4- Throne Of Devil
5- Merciless Punishment
6- Jesus Crisis
7- The Need Of Perpetual Conflict
8- Ephemeral Property
9- Six Six Sickness

LINE UP:
Flávio Wyrwa – vocal
Alessandro Guima – guitarra e backing vocal
Daniel Hatkopf – guitarra
Emerson Niederauer – baixo
Jefferson Verdani – bateria

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HERYN DAE - Heryn Dae (2016)

Independente – Nac.


É notório o quanto nos últimos anos o folclore nórdico tem despertado interesse mundo afora. Fato é que, tanto na literatura e no cinema, quanto no Heavy Metal, esse tema tem sido bastante explorado. Musicalmente falando, no Brasil diversas bandas abraçaram essa instigante cultura. A estreante Heryn Dae está inserida entre elas e isso fica claro nesse seu homônimo ‘debut’, em que, liricamente falando, a proposta foi bem trabalhada. A própria faixa título, por exemplo, tem refrão cantado em élfico tolkiano. Isso explica o nome “Heryn Dae” (“dama das sombras”, em livre tradução), que surgiu dessa língua. Mas além dessa temática, o Heryn Dae também aborda questões ligadas à religião e ao suicídio.
Em termos sonoros, o grupo pratica um Heavy Metal Tradicional bastante trabalhado e com ênfase aos andamentos cadenciados – apesar de que em certos momentos há partes que são pouco mais aceleradas. 
Analisando as músicas de destaque, “Final Fantasy” (a melhor de todas) começa com um dedilhado parecido com o de “Kings Of The Anarchy”, mas conta com bons riffs e arranjos de guitarra de Juliano Bianchi e uma linha vocal grudenta de Victor Moura; Por sua vez, “Heryn Dae” tem um curto e belo começo acústico, que logo é substituído por uma atmosfera épica; Já “Death” soa como uma mistura entre Savatage e Grave Digger, sendo que, tanto nessa quanto em “Shadow’s Prologue” - a mais pesada de todas -, Moura canta de uma maneira mais agressiva; Por fim, a extensa “Evil Fortress”, fecha o álbum em clima misterioso e ao mesmo tempo dramático.
A produção a cargo de Kelwin Grochowicz - responsável também pela gravação dos teclados e efeitos - poderia ter sido mais bem trabalhada, especificamente no que diz respeito ao som da bateria de Cristiano Pereira. O mesmo vale em relação à pronuncia, que careceu de um pouco mais de atenção.
Esses detalhes não tiraram a qualidade do material, mas para um próximo necessitam ser corrigidos. 

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- March To Die
2- Final Fantasy
3- Heryn Dae
4- Death
5- Shadow’s Prologue
6- Lucy
7- Kings Of The Anarchy
8- Evil Fortress

LINE UP:
Victor Moura – vocal
Juliano Bianchi – guitarra
Ricardo Bach - baixo
Cristiano Pereira – bateria

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HEAVENLESS - Whocantbenamed (2017)

Rising Records – Nac.



De Mossoró, Rio Grande do Norte, nos chega esse surpreendente álbum de estreia do Heavenless, grupo que nasceu da união de integrantes das bandas Monster Coyote e Bones In Traction. 
De cara, impressiona a brutalidade imposta nas músicas, que por sinal foram favorecidas pela ótima e equilibrada produção de Cássio Zamboto, que por sua vez cuidou também da mixagem e da masterização de “Whocantbenamed”. 
Trata-se de um álbum em que peso, cadência, velocidade e bom gosto nos arranjos se conectam e formam um Deathcore grandioso e intenso. E toda essa massa bruta sai das mentes criativas de apenas três músicos, Kalyl Lamarck (vocal e baixo), dono de um gutural imponente e bases consistentes, Vinicius Martins (guitarra), criador de riffs vigorosos e bons solos, e o criativo Vicente “Mad Butcher” Andrade (bateria). Ao longo do álbum, o trio mostra técnica na medida certa e muita coesão na construção de cada composição.
Há uma aura obscura em torno das músicas que integram “Whocantbenamed”, especialmente a faixa “The Reclaim”, que tem uma pegada totalmente Doom Metal, de tão sombria que é. Basta ouvir o álbum conferindo a soturna arte gráfica que foi desenvolvida por Hugo Silva, que logo você entra no clima dessa atmosfera ‘dark’ do material. 
Mas se por um lado “The Reclaim” tem esse andamento arrastado, o mesmo não pode ser dito de músicas como “Hopeless” e “Odium”, por exemplo, que são puro caos! 
Em termos de referências, é inevitável dizer que algumas faixas como “Soothsayer”, “Uncorrupted”, “Deceiver” e “Point-Blank” chegam a lembrar o Sepultura da fase dos álbuns “Chaos A.D.” (1993) e “Roots” (1996), principalmente no que diz respeito aos arranjos de guitarra e bateria. Vale dizer que foi lançado um videoclipe para “Hatred” e um lyric video para “Hopeless”. 
É muito cedo ainda para dizer, mas o Heavenless mostra nesse álbum que dentro em breve poderá despontar com um dos grandes representantes do cenário nacional.

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- Enter Hades
2- Hopeless
3- The Reclaim
4- Hatred
5- Soothsayer
6- Odium
7- Uncorrupted
8- Deceiver
9- Point-Blank

LINE UP:
Kalyl Lamarck – vocal e baixo
Vinicius Martins - guitarra
Vicente “Mad Butcher” Andrade – bateria

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www.youtube.com/watch?v=UAtRP-HazvA (videoclipe de “Hatred”)
www.youtube.com/watch?v=yL9w5CTSsuo (lyric video de “Hopeless”)

27 de março de 2017

FATAL SCREAM - From Silence To Chaos (2016)

MS Metal Records – Nac.



Recentemente, chegou ao nosso “Q.G.” esse primeiro álbum do Fatal Scream, “From Silence To Chaos”, que foi lançado no primeiro semestre de 2016 e que de lá pra cá vem recebendo muitos elogios. Também, pudera, o material mostra uma banda que apesar de estar estreando, parece já carregar bastante experiência, tendo em vista que o que se ouve no ‘debut’ é um som maduro, coeso, técnico e de muita qualidade. A sonoridade pesada é moldada a partir dos mais diversos gêneros, assim sendo, é possível notar influências de Power, Prog, e até mesmo de Thrash Metal. E se você leitor encara isso como uma salada musical, saiba que a união desses estilos no trabalho do grupo foi contemplada por uma sonoridade bastante homogênea, já que a amarra dessas misturas é feita de maneira inteligente.
Instrumentalmente, Diego Alexander Aricó e José Roberto Cardoso (guitarras), Rodrigo Hurtiga Trujillo (baixo) e Carlos Lourenço (bateria) desempenharam um trabalho irrepreensível, que refletiu em músicas pesadas, algumas velozes, outras cadenciadas, mas, ao mesmo tempo, com boas variações e melodia dosada na medida certa. Como exemplo disso temos “Before The Judgement”, música que começa como uma bela balada acústica, mas que depois ganha peso e um refrão contagiante.
Mas o grande destaque é o trabalho vocal e os timbres da frontwoman Carolina Miranda, que além de criar boas linhas, faz bonito cantando tanto de maneira agressiva, quanto limpa.
A produção de Romulo Ramazini Felício, que também cuidou da mixagem e masterização, favoreceu o material, já que tudo ficou muito equilibrado e cristalino.
Um videoclipe para “Machine Head” e alguns lyric videos foram lançados. Isso mostra que a banda acredita em seu potencial e leva a sua carreira a sério, fato é que o quinteto não perde tempo e até já divulgou estar trabalhando em seu novo álbum.
Sem dúvida, o Fatal Scream é uma grata revelação e faz jus aos elogios que vem recebendo.   

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- From Silence To Chaos
2- Killer Wolf (veloz)
3- Trapped
4- Before The Judgement
5- Betrayer (Shake)
6- Mental Prison
7- Utopia
8- Last Breath
9- Machine Head

LINE UP:
Carolina L. Miranda – vocal
Diego Alexander Aricó – guitarra
José Roberto Cardoso – guitarra
Rodrigo Hurtiga Trujillo – baixo
Carlos Lourenço – bateria

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TERRORSPHERE - Blood Path (2016, EP)

Independente – Nac.



Brutalidade e raízes intencionalmente fincadas no Death Metal old school. Esses são os componentes primordiais que moldam e dão acabamento ao som desse estreante grupo paranaense, que com apenas dois anos de existência se apresenta ao cenário da música pesada lançando esse bom EP, “Blood Path”.
O material é composto de cinco músicas impiedosas e extremamente agressivas, onde velocidade e cadência se alternam, riffs intrínsecos e carrancudos das guitarras de Udo Lauer e Francisco Neves (ex-Deadfall e Iatrogenic) comandam e o vocal ultra urrado de Werner Lauer – que forma a cozinha com o baterista Victor Oliveira (Thunderlord, ex-Ave Noturna) – impõe, sem traços de misericórdia, a visceralidade sonora do Terrorsphere.
“Assassinos”, única música com letra composta em português, abre o material, e junto à “Terror Squad” e a própria faixa título são os grandes destaques em “Blood Path”. 
A produção realizada ao lado da dupla, Júnior Ribeiro e Lucas Camporezzi, pode até não soar tão cristalina, porém, possivelmente tenha sido intencional por parte da equipe e, no fim das contas, gerou uma “sujeira” que acabou sendo benéfica ao material, já que privilegiou a atmosfera old school das composições.
A única ressalva aqui fica por conta dos solos, que poderiam ter sido mais bem trabalhados. 
De qualquer forma, o Terrorsphere estreou bem e mostra que tem tudo para surpreender em um futuro primeiro álbum completo.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Assassinos
2- War Curse
3- Terror Squad
4- Blood Path
5- Mind Control

LINE UP:
Werner Lauer – vocal e baixo
Udo Lauer – guitarra
Francisco Neves – guitarra
Victor Oliveira – bateria

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STONEX - Seeds Of Evil (2014, EP)

Independente – Nac.



Apesar de que sempre existirão os chatos de plantão reclamando de bandas ou de artistas que a eles não soam inovadores, criativos ou técnicos, na música não há regras e essas três questões jamais serão parâmetros obrigatórios para se julgar a qualidade de uma composição. Ramones e AC/DC são exemplos de que simplicidade também pode garantir satisfação. 
Nesse seu EP de estreia, o grupo sergipano Stonex mostra que não é integrado por músicos técnicos, não dispõe de composições inovadoras, bebe fortemente da fonte do Hard Rock setentista e, principalmente, do Heavy Metal Tradicional, mas, ainda assim, sua música agrada. Os pontos de maior destaque em “Seeds Of Evil” são as guitarras ardidas de Marcelo “Mark” Hazz e, principalmente, o vocal ardido de Ramon Guerreiro, que dão personalidade ao som do Stonex.
Quanto às músicas, “Dressed In Black” abre o material remetendo ao Heavy Metal europeu da década de 80. “Electric Sky” possui riffs influenciados por Judas Priest, mas, no decorrer, após uma paradinha, a música muda completamente, e a mim isso soou estranho. Em contrapartida, “Maggots In My Brain” põe as coisas novamente nos trilhos, com um instrumental que no início soa bem Black Sabbath. “Master Of The Pit” dá números finais, mantendo o nível. 
Pena que em termos de produção a banda ficou devendo, já que o material soa muito cru. Entretanto, se você concorda com o que eu escrevi no início dessa resenha, poderá curtir esse EP.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Dressed In Black
2- Electric Sky
3- Maggots In My Brain
4- Master Of The Pit

LINE UP DA ÉPOCA:
Ramon Guerreiro – vocal
Marcelo “Mark” Hazz – guitarra
Atilio Bass – baixo
Adriano Cardoso – bateria

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QUINTESSENTE - The Belief Of The Mind Slaves (2016, Single)

Independente – Nac.



O Quintessente já é veterano e ainda não tem um álbum em mãos, porém, a qualquer momento André Carvalho (vocal), Cristiano Dias (guitarra), Henrique Bessa (baixo), Cristina Müller (teclado e vocal) e Mark Souza (bateria) podem estar lançando o já anunciado “Songs From Celestial Spheres”. E para dar um gostinho do que está por vir, o grupo lançou esse single da música “The Belief Of The Mind Slaves”.
O que se nota é que musicalmente a banda não está tentando reinventar a roda, mas ainda que esse single em questão não traga nada do que a gente já não tenha ouvido por aí em bandas que também unem Metal sinfônico com toques de Metal Progressivo, alternando vocais masculinos e femininos, o material mostra que o Quintessente tem competência e técnica para compor música de qualidade. 
Com vocais ora graves, ora urrados, Carvalho mostra um bom trabalho, e em certos momentos tem ao seu lado o reforço vocal de Müller, que por sua vez constrói linhas de teclados inspiradas. 
A produção realizada em parceria com Celo Oliveira está muito boa e supera de longe a da faixa bônus “Matronæ Gaia”, que foi gravada originalmente no EP “Lonely Seas Of A Dreamer” (2000). Esse fato anima em relação ao que está por vir no ‘full lenght’.
Por enquanto, é cedo para analisarmos o momento musical atual da banda, mas a considerar por “The Belief Of The Mind Slaves”, a expectativa é boa.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- The Belief Of The Mind Slaves
2- Matronæ Gaia (bonus track)

LINE UP:
André Carvalho – vocal
Cristiano Dias- guitarra
Henrique Bessa - baixo
Cristina Müller – teclado e vocal
Mark Souza – bateria

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FALLEN IDOL - Seasons Of Grief (2016)

Independente – Nac.


Dos primeiros aos últimos acordes, chega a arrepiar os pêlos ouvir esse “Seasons Of Grief”, novo álbum da banda paulista Fallen Idol, que com apenas quatro anos de atividades já chega ao seu segundo ‘full lenght’. Nesse, fica clara a evolução do grupo em relação ao seu homônimo e obscuro álbum de estreia (lançado no ano de 2015), tanto em termos sonoros, quanto de produção. O material foi produzido por André Marques, que conseguiu atingir um bom resultado e esse fator certamente colaborou para o engrandecimento das composições, que possivelmente farão a alegria dos fãs daquele influente Doom Metal que era praticado durante os gloriosos anos 80, principalmente por medalhões como Black Sabbath, Candlemass, Pentagram e Trouble. 
De cara, algo que chama muito a atenção, além do som, é a semelhança vocal de Rodrigo Sitta com o lendário Dee Snider (Twisted Sister), não pelos graves, mas sim em alguns momentos quando o frontman abre e rasga a voz. Sitta se destaca pelas ótimas linhas vocais que cria, mas também como guitarrista, não só devido aos seus riffs pesados e contagiantes, como também pelos solos que são de uma beleza melódica ímpar.
De maneira geral, a cadência e o clima das músicas proporcionam atmosferas envolventes e muito bonitas. Como exemplo disso, temos a própria faixa título, que abre o material trazendo consigo um refrão cativante que gruda na mente. Mas apesar dos andamentos arrastados imperarem na maior parte do tempo, músicas como “Heading For Extinction”, “The Boy And The Sea” – que ganhou videoclipe - e a derradeira “Satan’s Crucifixion” – composição que remete ao som do Mercyful Fate e tem partes que são mais puxadas para o Heavy Metal Tradicional - garantem passagens um pouco mais aceleradas e energéticas.  
O Fallen Idol mostra que não está para brincadeira e se continuar apresentando materiais com essa qualidade, fincará seu nome entre os principais nomes do Doom Metal brasileiro.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Seasons Of Grief
2- Nobody’s Life
3- Unceasing Guilt
4- Heading For Extinction
5- The Boy And The Sea
6- Worsheep Me
7- Satan’s Crucifixion

LINE UP:
Rodrigo Sitta – vocal e guitarra
Márcio Silva- baixo
Ulisses Campos – bateria

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www.youtube.com/watch?v=IJBrP6cr0lw (videoclipe de “The Boy And The Sea”)

ELEPHANT CASINO - Believe (2016, EP)

Independente – Nac.


Engana-se quem pensa que para a música pesada Minas Gerais é sinônimo apenas de Thrash e Death Metal. Nos últimos anos, por exemplo, o estado tem nos brindado com boas bandas, praticantes de gêneros mais leves. É o caso do veterano Cartoon e desse novato grupo belo-horizontino, de nome curioso. O Elephant Casino pratica um Hard Rock trampado, com instrumental intrínseco e linhas vocais bem estruturadas, qualidades essas que remetem ao trabalho de Mr. Big, The Winery Dogs e Dr. Sin.
Nesse EP de estreia, a banda surpreende não apenas pela qualidade das composições, mas também pelo talento de seus integrantes.
O material abre com a empolgante faixa título (carro-chefe do EP), que se destaca por sua cozinha concisa e cheia de groove e, principalmente, pelos riffs de Rafael Fajardo, que insere muita malícia nos arranjos. Na sequência, após o começo energético, vem “Stardust”, que dá descanso com seu clima ameno e viajante. O mesmo acontece no início de “Return”, que entra acústica, mas acaba descambando para uma pegada que lembra muito do que já foi feito pelo Rush. Nessa, quem brilha é Fabrício Araújo, vocalista que é dono de timbres e estilo parecidos aos do “The Voice Of Rock”, Glenn Hughes.  Por fim, “The Haze” alterna cadência, groove e velocidade e traz um solo inspirado de Fajardo.
Em suma, “Believe” é um trabalho surpreendente. Pena que é apenas um EP, pois aguçou a vontade de ouvir mais músicas do Elephant Casino.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Believe
2- Stardust
3- Return
4- The Haze

LINE UP:
Fabricio Araujo – vocal
Rafael Fajardo – guitarra e vocal
Viny Silveira – baixo
Diego Sans – bateria

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20 de março de 2017

CONCEPT OF HATE - Black Stripe Poison (2015, EP)

Independente – Nac.


E olha o incansável e prolífico ABC na área, ainda ajudando a manter o cenário metálico paulistano firme e forte. A região responsável por nomes como os dos lendários e ainda ativos MX e Necromancia, do mais “novato” Forka, e também de outros que já estão extintos, como Bywar e Trevas, por exemplo, agora nos apresenta o Concept Of Hate. 
O grupo foi formado especificamente em Santo André, no distante ano de 2009, e somente agora, após algumas mudanças na formação, o Concept Of Hate, atualmente formado por Flávio Giraldelli (vocal), Daniel Pereira (guitarra), Rafael Biebrach (baixo) e Takashi Maruyama (bateria), firma a sua estreia com esse EP, “Black Stripe Poison”. 
O material - que por sinal foi favorecido pela boa produção de Sebastian Ortornol -, mostra a aposta do grupo em um Thrash Metal que possui aspectos que lembram o que algumas bandas do mesmo gênero buscavam no início dos anos 90. Ou seja, um som nem sempre veloz, mais trabalhado, melhor produzido e com linhas vocais mais melódicas do que as que estávamos acostumados nos anos 80, que eram mais retilíneas e gritadas. 
“Black Stripe Poison” é um EP recheado de riffs nervosos de guitarra e muita quebradeira de batera. E tanto Pereira quanto Maruyama alcançaram ótimos timbres. Por sua vez, Giraldelli se destaca ao fugir dos urros que se tornaram comuns nos dias atuais, preferindo apenas rasgar a voz.
Dizem que o ABC não erra quando o assunto é Thrash Metal. O Concept Of Hate reforça essa teoria.

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- Black Stripe Poison
2- In Human Nature
3- Chaospiracy
4- Sanity Is Not An Option

LINE UP:
Flávio Giraldelli – vocal
Daniel Pereira – guitarra
Rafael Biebrach – baixo
Takashi Maruyama – bateria

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INDISCIPLINE - Sanguinea (2017)

Shinigami Records – Nac.


Não é de hoje que o nome desse power trio feminino circula no cenário nacional. Surgido em 2012, o grupo que conta em sua formação com Alice D’Moura (vocal e baixo), Maria Cals (guitarra) e Ale De La Vega (bateria), vem acumulando diversos shows e comentários positivos em relação a sua sonoridade, que em 2014 já havia sido apresentada na demo “In My Guts”. Ao menos em mim - e acredito que em muita gente - essa repercussão causou expectativa sobre o que o Indiscipline seria capaz de criar em estúdio para seu álbum de estreia. 
Contando com a produção satisfatória (embora um pouco abafada) de Felipe Eregion (Unearthly), a assistência do tarimbado vocalista Gus Monsanto (Human Fortress, Burnt City, Adagio, OverDose, Astra, Symbolica, Code Of Silence, Revolution Renaissance e outros) e a masterização e mixagem realizadas por Arkadiusz “Malta” Malczewski (Behemoth, Decapitated, Hate, Black River), em Varsóvia (Polônia), no Sound Division Studio, o grupo mostra nesse material uma sonoridade pesada, com instrumental competente, que traz referências que vão do Hard Rock ao Metal, passando por momentos que remetem ao Alice In Chains, como no caso da pesadíssima “Burning Bridges”, de “Degrees Of Shade” e de “Losing My Mind”. 
D’Moura, com seu baixo distorcido, e De La Vega formam uma cozinha concisa, mas o que realmente chama atenção na primeira é a questão do vocal. A frontwoman mostra linhas contagiantes, abrindo mão da agressividade e apostando na melodia. Por sua vez, Maria Cal manda riffs pesados, diretos e em alguns momentos, com palhetadas velozes, como pode ser conferido, por exemplo, na base do solo da ótima “Fear In Your Eyes”. 
Outras músicas que merecem elogios são a cadenciada “Born Dead”, a grooveada “Higher” e a empolgante “Poison”.
Quanto a minha expectativa, o Indiscipline sanou-a de maneira muito positiva com esse primeiro álbum. Se você também estava na espera, pode ir atrás que possivelmente irá gostar.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Fear In Your Eyes
2- Take It Or Leave It
3- Nasty Roar
4- Burning Bridges
5- Degrees Of Shade
6- Losing My Mind
7- Born Dead
8- Higher
9- Miss Daniel
10- Poison

LINE UP:
Alice D’Moura – vocal e baixo
Maria Cals – guitarra
Ale De La Vega – bateria

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HEVILAN - The End Of Time (2015)

Massacre Records – Imp.


Alex Pasqualle (vocal, Mysttral / Sinrise), Johnny Moraes (guitarra, Warrel Dane) e Biek Yahaitus (baixo, Sinrise): um time de primeira, autor de um Power Metal grandioso, que alterna partes velozes e pesadas à outras cadenciadas e melodiosas, dando ênfase às vocalizações e coros épicos. Somado a isso, a participação do baterista convidado Aquiles Priester (Hangar, Noturnall) em todas as músicas, e também do vocalista Vitor Rodrigues (Voodoopriest) em “Shades Of War”, “Desire Of Destruction” e “Sanctum Imperium”, mais a co-produção dos tarimbados Brendan Duffey (que assina a masterização) e Adriano Daga, que cuidaram da parte de corais, vozes, quarteto de cordas e mixagem, e também de Adair Daufembach, responsável por guitarra, baixo e bateria, só poderia render um álbum de alto calibre. Com toda essa pompa, o Hevilan lançou em 2013 esse seu ‘debut’, “The End Of Time”.
A qualidade demonstrada no material foi tamanha que refletiu em boas resenhas e reconhecimento nacional e internacional. O resultado disso foi que o grupo paulistano conseguiu chamar a atenção da renomada Massacre Records, que resolveu relançar o álbum - esse feito fez com que o Hevilan passasse a ser a primeira banda brasileira a integrar o cast da gravadora alemã.
Para esse relançamento, o Hevilan incluiu duas faixas bônus, que na verdade são releituras, uma para “Shades Of War”, que contou com a participação de Warrel Dane (Sanctuary/Nevermore), e outra para “Quest Of Illusion”, música que originalmente foi lançada no EP de estreia, “Blinded Faith” (2006).
Não é necessário destacar uma ou outra música em “The End Of Time”, já que todas, sem exceção, mostram muita qualidade. Dito isso, podemos afirmar que estamos diante de um clássico do Power Metal nacional.
Tendo agora a efetivação do baterista Rafael Dyszy em seu line-up, a expectativa agora é para que o Hevilan não demore a lançar o sucessor desse grande álbum de estreia.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Re-Genesis
2- Shades Of War
3- Minos’ Call
4- End Of Time
5- Desire Of Destruction
6- Sanctum Imperium
7- Dark Throne Of Babylon
8- Son Of Messiah
9- Loneliness
10- Shades Of War – Extended Version (featuring Warrel Dane)
11- Quest Of Illusion 2014

LINE UP:
Alex Pasqualle – vocal
Johnny Moraes – guitarra
Biek Yahaitus – baixo

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LO HAN - Get High (2015)

Independente – Nac.



Os bons tempos do Classic Rock voltaram! É essa a sensação que você vai sentir ao apertar o play para esse “Get High”, álbum de estreia do grupo soteropolitano Lo Han. O time é grande, já que estamos diante de um sexteto, e o trabalho mostrado por Rafael Breschi (vocal), Alexandre Amoedo e Caio Aslan (guitarras), Thiago Baumgartem (baixo), Ricardo Lopo (pianos e Hammond) e Thiago Brandão (bateria) soa brilhante, além de ser rico em arranjos.
São composições altamente mergulhadas no espírito do Rock setentista, e o bom gosto é a tônica desse material. A capa psicodélica e os primeiros segundos de “Time” entregam essa atmosfera clássica, através dos acordes iniciais do hammond de Lopo, que antecipa o instrumental ameno.
O que vem a seguir é o carro-chefe do álbum, a contagiante “Dance With The Devil”. Essa música tem guitarras ao melhor estilo Jimmy Page, um groove que te deixará com vontade de sair dançando e um solo magistral de Ricardo Lopo, emendado por Aslan em um de guitarra com efeito wah wah, que caiu muito bem. Falando em Jimmy Page, as influências de Led Zeppelin e do também inglês Deep Purple pululam a todo instante e se fundem à referências extraídas do Southern Rock norte-americano, caso da excelente “I’ll Only Rest When I’m Dead”, que abre com violão e cresce a partir da Slide Guitar gravada pelo produtor do álbum, o guitarrista blueseiro Álvaro Assmar, que, aliás, atingiu um bom trabalho com os botões. 
Um dos grandes pontos positivos em “Get High” são as linhas vocais e refrãos bastante marcantes e viciantes, méritos para Breschi, que se mostra um vocalista de mão cheia, ou melhor, de grande voz.
O alto astral impera nesse ‘debut’ do Lo Han, mas como não poderia faltar, a banda também caprichou nas baladas, que são “Waiting For You” e “The World Will Change Your Mind”.  
Se você leitor deseja retornar no tempo em alto nível, vá atrás desse “Get High”, pois a viagem valerá a pena.

Leandro Nogueira Coppi


TRACKLIST:
1- Time
2- Dance With The Devil
3- Get High
4- I’ll Only Rest When I’m Dead
5- Sex, Drugs And Music
6- Bullet
7- Waiting For You
8- Green Lies
9- The Fallen Butterfly
10- Fight For Your Faith
11- The World Will Change Your Mind

LINE UP:
Rafael Breschi – vocal
Alexandre Amoedo – guitarra
Caio Aslan – guitarra
Thiago Baumgartem – baixo
Ricardo Lopo – pianos e hammond
Thiago Brandão – bateria

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Videoclipe “Dance With The Devil”: https://www.youtube.com/watch?v=VYOkuajcmwM

ALEKTO - The Unpleasant Reality (2017)

Atração Fonográfica – Nac.


O processo era de ascensão no mercado nacional e internacional, mas a ida de Guilherme Miranda (vocal e guitarra) para o Entombed A.D. fez com que o Krow, grupo mineiro de Death Metal, deixasse em ‘stand by’ as suas atividades. Isso permitiu com que Woesley Johann (guitarra), Cauê de Marinis (baixo) e Jhoka Ribeiro (bateria), ao lado do vocalista Will, com o qual uniram forças, priorizassem o trabalho do Alekto, que foi iniciado no final de 2015. O resultado é esse álbum de estreia, “The Unpleasant Reality”, que acaba de sair do forno.
Nessa empreitada os músicos mostram um Metal agressivo, veloz, atual e com muita qualidade técnica. O ambiente cheio de climas e atmosferas ficou ainda mais evidente graças à produção soberba de Bruno dos Reis, em parceria com o próprio de Marinis.
O material é formado por dez temas brutais, onde liricamente a banda aborda temas sobre delitos existentes no mundo atual, como escravidão moderna, exploração do meio ambiente e também sobre falhas de conduta no comportamento humano.
“The Unpleasant Reality” é um trabalho coeso e bastante homogêneo, em que muitas referências de Death e Thrash Metal se fundem com o groove do Metalcore, tendo a frente de tudo o vocal insano de Will, que canta de forma gutural, porém, bastante inteligível.
Instrumentalmente falando, os riffs de Johann dão bastante peso às bases e seus solos uma carga de melodia para as composições. Já a cozinha insere uma massa bruta que não dá a menor margem de amenidade ao ouvinte.
É difícil destacar uma ou outra faixa, devido ao equilíbrio que existe entre as composições, que acabam se conectando. Dito isso, fica óbvio concluir que “The Unpleasant Reality” é um álbum feito para ser apreciado do início ao fim com a mesma disposição.
Independente do retorno ou não das atividades do Krow, o Alekto chega com os dois pés no peito, mostrando que ganhamos outro bom representante do Metal brasileiro.

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- Who Dares To Raise The Hand
2- Let’s Talk About War
3- Deliberate Entropy
4- Media’s Assault
5- The Masked
6- Cold & Blood
7- Mind Scars
8- Immutable Silence
9- Conjecture Of Chaos
10- Revenge

LINE UP:
Will – vocal
Woesley Johann – guitarra
Cauê de Marinis – baixo
Jhoka Ribeiro – bateria

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7 de março de 2017

GENOCÍDIO - Under Heaven None (2017)

Urubuz Records – Nac.


Seja lá por onde quer que vagueie musicalmente, não importando se for pelo Gothic Doom ou pelo Death Metal, o lendário Genocídio sabe muito bem como pisa e faz com maestria. Se em “In Love With Hatred” (2013), Murillo Leite (vocal e guitarra), Rafael Orsi (guitarra), W. Perna (baixo) e João Gobo (bateria) já haviam mostrado um trabalho surpreendente, que unia ambos os gêneros supracitados, agora em “Under Heaven None” voltam ainda mais pesados e nervosos. Chega a ser covardia abrir o material com a própria “Under Heaven None” e dar sequência com a caótica “Requiescat In Pace”, pois a porrada é tamanha, com direito a Gobo mandando ver nos blast beats e Murillo nos vocais rasgados, que não há tempo nem de o ouvinte tomar fôlego. A mesma brutalidade pode ser conferida em “You’re All Sick”. A pesada “Death Of A Dream” começa arrastada, mas no decorrer a banda volta a acelerar - ao contrário do que faz na construção de “Mediaevil”, que por sinal tem um solo belíssimo de Orsi -, sendo que nas partes cadenciadas o versátil Murillo canta fazendo uso dos timbres graves e cavernosos que sempre cativaram quem curte a pegada Doom do “Genô”. Já na lenta “Winded Sleep” e na sorumbática e agressiva “Them Arsonists”, o vocal de Murillo e a atmosfera instrumental estão conectados ao Black Metal. Ainda sobre vozes, há de se ressaltar que em algumas músicas existe um trabalho rico em corais e em backing vocals, que “engordou” as composições. Dando continuidade, surpreende o dinamismo do grupo em incorporar groove nas levadas de “I Play Your God No More” e um viés mais Heavy e direto em “Lair Of All Rats To Dwell” e em inserir violão na pesada, derradeira e curta instrumental “Sömberkkast”. Tanto as novas composições e a versão de “Black Vomit” (Sarcófago), quanto a produção realizada por Orsi e a arte gráfica desenvolvida por Perna fazem juz à respeitada carreira de mais de 30 anos dessa instituição da música pesada chamada Genocídio.

 Leandro Nogueira Coppi 



TRACKLIST: 
1- Under Heaven None
2- Requiescat In Pace
3- Death Of A Dream
4- Winded Sleep (dedilhado)
5- Mediaevil
6- The Woman And The Witch
7- You’re All Sick
8- Them Arsonists
9- I Play Your God No More
10- Lair Of All Rats To Dwell
11- Black Vomit (Cover do Sarcófago)
12- Sömberkkast

LINE UP: 
Murillo Leite – vocal e guitarra
Rafael Orsi – guitarra
W Perna – baixo
João Gobo – bateria e percussão

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6 de março de 2017

AFFRONT - Angry Voices (2016)

Independente – Nac.



O excelente álbum “The Unearthly” (2014) mostrava que o grupo carioca de Black Metal Unearthly vivia uma fase inspirada, porém, em 2016 a banda se viu obrigada a pausar suas atividades devido a problemas de saúde do vocalista Felipe Eregion. Felizmente, o baixista M. Mictian e seu companheiro de Unearthly, o guitarrista R. Rassan (ex-Imago Mortis e Ainur), uniram forças com o baterista Jedy Najay e criaram o Affront. 
O trio trabalhou rápido e agora nos brinda com esse álbum que tem características de Black Metal, mas mostra uma banda mais voltada ao Death/Thrash, com músicas diretas e bem trabalhadas. Guitarras ardidas, ‘blast beats’, contrastes entre partes velozes e cadenciadas, compõem a construção sonora da banda, mas, além disso, e dos carros-chefes “Under Siege” e “Scum Of The World”, que ganharam clipe e lyric video, respectivamente, várias músicas em “Angry Voices” mostram que o Affront tem muito mais a oferecer. 
“Conflicts”, por exemplo, tem uma caída muito bonita em que R.Rassan exibe melodia no solo; A pacífica instrumental “Terra Sem Males (Guerra Guaranítica)” é executada apenas pelo baixo e tem sons florestais que remetem ao ambiente em que viviam os índios Guaranis, que entraram em combate contra as tropas espanholas e portuguesas no período de 1750 a 1756 após a assinatura do Tratado de Madri, ocorrida no sul do Brasil; “Mestre Do Barro” conta até com pandeiro, tocado por Rassan, e tem letra cantada em português, que fala sobre o artesão nordestino Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, que viveu durante o século vinte e foi especialista em artes feitas com barro; “Carved In Stone” conta com solos e linhas vocais surpreendentes e na maior parte do tempo se mantém arrastada; “Wartime Conspiracy” vem na cola, mas com uma construção contrária, sendo quase toda veloz, e quando descamba pra cadência, brilha com riqueza instrumental; Falando em instrumental, esse é o mote de “Echoes Of The Insanity”, composição constituída apenas de baixo e violão, que tem sua beleza revelada através do clima melancólico que carrega. 
Como faixa bônus, há outra versão de “Under Siege”, onde o tarimbado Marcello Pompeu (Korzus) aparece como convidado fazendo duo com o agora também vocalista, M. Mictian.
A produção ficou a cargo dos próprios Rassan e Mictian, e ambos souberam deixar tudo soar cristalino e cru ao mesmo tempo. Já a arte gráfica é assinada pelo renomado Marcelo Vasco (Slayer, Kreator, Machine Head, Soulfly).
Independente do que aconteça com o futuro do Unearthly, torço para que o Affront continue lançando álbuns, pois nesse “Angry Voices” deixou claro que também tem qualidade acima da média.

Leandro Nogueira Coppi



TRACKLIST:
1- Scum Of The World
2- Angry Voices
3- Affront
4- Conflicts
5- Terra Sem Males (Guerra Guaranitica)
6- Mestre Do Barro
7- Religions Cancer
8- Under Siege
9- Carved In Stone
10- Wartime Conspiracy
11- Echoes Of The Insanity
12- Under Siege

LINE UP:
M. Mictian – vocal, baixo e baixo acústico
R. Rassan – guitarra, violão e pandeiro
Jedy Najay – bateria e percussão

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